Líder das Canárias se opõe a atracação de navio com hantavírus
Canárias barra navio com hantavírus; evacuação em Cabo Verde

O líder do governo das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, manifestou-se contra o plano do governo espanhol de autorizar a atracação do navio de cruzeiro MV Hondius, que enfrenta um surto de hantavírus, no arquipélago. A declaração foi feita nesta quarta-feira (06/05).

Navio infectado e evacuação em Cabo Verde

O MV Hondius, que partiu da Argentina em 1º de abril, registrou um surto do vírus a bordo. Atualmente, a embarcação está ancorada em Cabo Verde, onde dois tripulantes doentes estão sendo retirados. Após a evacuação, a expectativa é que o navio deixe o país africano. Dois médicos infectologistas da Holanda estão a caminho do navio e permanecerão a bordo após a partida. Um outro profissional de saúde já está presente.

De acordo com a operadora holandesa Oceanwide Expeditions, o plano é seguir para as Ilhas Canárias, especificamente Gran Canaria ou Tenerife, o que levaria três dias de navegação. A empresa informou que as discussões com as autoridades competentes estão em andamento.

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Oposição do líder canário

Fernando Clavijo, líder do governo das Ilhas Canárias, afirmou que não pretende permitir a chegada do navio ao arquipélago. "Não posso permitir a entrada [do navio]", declarou Clavijo. "Esta decisão [de ir para as Ilhas Canárias] não se baseia em quaisquer critérios técnicos e também não nos foram dadas informações suficientes." Clavijo, que está em Bruxelas, disse que deseja se reunir com urgência com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Madri, para discutir o assunto.

Casos de hantavírus a bordo

Segundo a mais recente atualização da Organização Mundial da Saúde (OMS), oito casos de hantavírus foram identificados até o momento entre pessoas que estavam no navio, sendo três confirmados e cinco suspeitos. Três passageiros morreram, mas apenas duas mortes foram confirmadas como ligadas ao vírus.

Na Suíça, o governo informou que um homem hospitalizado foi diagnosticado com hantavírus após viajar no navio. A OMS afirma que o passageiro respondeu a um e-mail da operadora informando sobre o problema de saúde e compareceu a um hospital em Zurique, onde está recebendo tratamento.

Transmissão entre pessoas

O hantavírus é transmitido por roedores, principalmente pela inalação de partículas suspensas no ar provenientes de fezes secas desses animais. No entanto, a OMS indicou que, neste caso, o vírus pode ter se espalhado entre "contatos realmente próximos" a bordo do MV Hondius, embora esse tipo de transmissão seja raro e o risco para o público seja baixo. "Algumas pessoas no navio eram casais, compartilhavam cabines, portanto é um contato bastante íntimo", explicou Maria Van Kerkhove, da OMS. A suspeita é que a primeira pessoa a adoecer tenha contraído o vírus antes de embarcar.

Situação atual dos passageiros

Cerca de 149 pessoas de 23 países permanecem a bordo do navio sob "medidas rigorosas de precaução", segundo a operadora. A embarcação está ancorada na costa de Cabo Verde desde segunda-feira. Dois passageiros que morreram eram um casal holandês, e a esposa teve o vírus confirmado. Outro passageiro, um cidadão britânico de 69 anos evacuado para a África do Sul, também foi confirmado como portador. Ainda não foi confirmado se o marido da holandesa ou o outro passageiro falecido, um cidadão alemão que morreu em 2 de maio, tinham hantavírus.

Em comunicado, a família do casal holandês expressou: "A bela jornada que eles viveram juntos foi abrupta e permanentemente interrompida. Ainda somos incapazes de compreender que os perdemos. Desejamos levá-los para casa e homenageá-los em paz e privacidade." Testes estão sendo realizados em outros passageiros e tripulantes com sintomas.

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Cronologia dos eventos

  • 1 de abril: O MV Hondius parte de Ushuaia, Argentina, rumo ao Oceano Atlântico Sul.
  • 11 de abril: Primeiro passageiro morre a bordo, um cidadão holandês.
  • 24 de abril: A esposa do falecido é levada de avião de Santa Helena para Joanesburgo, junto com o corpo do marido.
  • 25 de abril: A mulher holandesa piora durante o voo e é hospitalizada.
  • 26 de abril: A mulher morre no hospital; posteriormente confirmado que ela tinha hantavírus.
  • 27 de abril: Um passageiro britânico doente é levado para a África do Sul; permanece em estado crítico, mas estável.
  • 2 de maio: Um cidadão alemão morre a bordo; não está claro se estava infectado.
  • 3 de maio: O navio chega a Cabo Verde.

O que é o hantavírus?

O hantavírus é transmitido por roedores. A infecção humana ocorre principalmente pela inalação de partículas de fezes secas, urina ou saliva de roedores. Também pode se espalhar por mordidas ou arranhões, embora seja mais raro. O vírus causa duas doenças graves: a Síndrome Pulmonar por Hantavírus (HPS) e a Febre Hemorrágica com Síndrome Renal (HFRS). A HPS começa com fadiga, febre e dores musculares, podendo evoluir para sintomas respiratórios com taxa de mortalidade de cerca de 38%. No Brasil, a doença é chamada de Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH). A HFRS afeta principalmente os rins e pode causar pressão baixa, hemorragia interna e insuficiência renal aguda.

Casos no mundo e no Brasil

Estima-se que ocorram 150 mil casos de HFRS anualmente no mundo, principalmente na Europa e Ásia, com mais da metade na China. Nos EUA, entre 1993 e 2023, houve 890 casos. No Brasil, entre 1993 e 2024, foram confirmados 2.377 casos de hantavirose (SCPH), com 937 mortes. Cerca de 70% dos pacientes foram infectados em zonas rurais.

Tratamento e prevenção

Não há tratamento específico para hantavírus. O CDC recomenda cuidados para os sintomas, como oxigenoterapia, ventilação mecânica, antivirais e diálise. Casos graves podem necessitar de UTI e intubação. A prevenção envolve eliminar o contato com roedores, vedar entradas em casas e usar equipamentos de proteção ao limpar fezes de roedores.

Casos recentes

Em fevereiro de 2025, Betsy Arakawa, esposa do ator Gene Hackman, morreu de HPS relacionada ao hantavírus. Ninhos e roedores mortos foram encontrados em anexos de sua casa. Ela havia pesquisado sintomas de gripe e covid-19 antes de morrer.