Em uma derrota histórica para o governo, o Senado Federal rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A votação secreta no Plenário resultou em 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, insuficientes para aprovar o nome indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Encontro no Palácio do Alvorada
Após a rejeição, Jorge Messias se reuniu com o presidente Lula no Palácio do Alvorada. Também participaram do encontro o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães. A reunião ocorreu enquanto a votação ainda era realizada.
Primeira rejeição desde 1894
Essa é a primeira vez em 130 anos que o Senado rejeita uma indicação presidencial para o STF. A última vez foi em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto, quando cinco indicados foram rejeitados: Barata Ribeiro, Innocêncio Galvão de Queiroz, Ewerton Quadros, Antônio Sève Navarro e Demosthenes da Silveira Lobo.
Reação de Messias
Após a votação, Messias agradeceu os votos recebidos e declarou: "A vida é assim, tem dias de vitórias e dias de derrotas. Sou grato aos votos que recebi. Acho que cada um de nós cumpre um propósito e eu cumpri o meu. Vim hoje, participei, me submeti a uma sabatina de coração aberto, de alma leve. Falei a verdade, o que penso, o que sinto. Agora, o Plenário do Senado é soberano".
Próximos passos
Com a rejeição, a mensagem com a indicação de Messias foi arquivada. O presidente Lula terá que enviar um novo nome para ocupar a vaga deixada pelo ministro Luis Roberto Barroso, que se aposentou no fim do ano passado. A indicação de Messias já havia sido aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado por 16 votos a 11, mas o Plenário não confirmou o nome.
Terceira indicação de Lula
Essa era a terceira indicação de Lula para o STF neste mandato. Anteriormente, foram aprovados Cristiano Zanin e Flávio Dino. Agora, o presidente terá que escolher um novo nome para a Corte.



