STF marca audiência pública sobre fiscalização da CVM após escândalo do Banco Master
STF discute fiscalização da CVM após caso Banco Master

STF marca audiência pública para discutir fiscalização da CVM após escândalo do Banco Master

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu marcar uma audiência pública para debater a capacidade fiscalizatória da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em meio às investigações sobre o Banco Master. A audiência está marcada para o dia 4 de maio e ocorrerá no âmbito de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pelo partido Novo.

Migração do crime organizado para o sistema financeiro

Em sua decisão, o ministro Dino destacou que o crime organizado está migrando do tráfico de drogas "para ambientes formais e regulados, como o sistema financeiro e o mercado de capitais". Ele justificou a necessidade de aprimorar a fiscalização da CVM, descrevendo a autarquia como "entidade fundamental na prevenção e no combate a crimes envolvendo fundos de investimento".

Dino citou em seu texto que "investigações recentes indicam a utilização de estruturas típicas do mercado financeiro, como fundos de investimento, fintechs e empresas de fachada para a prática de lavagem de dinheiro, inclusive de recursos oriundos de corrupção". O caso do Banco Master, segundo o ministro, ilustra a crescente dificuldade regulatória e de fiscalização no setor.

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Questionamentos sobre arrecadação e recursos da CVM

A audiência pública foi convocada no contexto de uma ação do partido Novo que questiona a proporcionalidade entre a arrecadação da CVM e os recursos destinados à sua atividade fiscalizatória. Segundo a legenda, nos últimos três anos (2022 a 2024), a Comissão de Valores Mobiliários arrecadou cerca de R$ 2,4 bilhões, sendo R$ 2,1 bilhões provenientes de taxas, mas a dotação orçamentária destinada à autarquia no mesmo período foi de apenas R$ 670 milhões.

O ministro Dino considerou que, diante deste quadro, "ganham relevância as teses da parte autora no sentido de que não estaria havendo proporcionalidade entre a arrecadação e o custo da atividade da CVM". A audiência servirá para esclarecer se os valores arrecadados a título de taxa de polícia estão efetivamente sendo aplicados em tecnologia e recursos humanos para o órgão.

Admissão de deficiências na fiscalização

Em sua decisão, Dino destacou as declarações do presidente interino da CVM, João Accioly, à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado em fevereiro. Quando questionado sobre uma possível omissão da autarquia em relação ao Master, Accioly admitiu que "a CVM sabia [dos problemas] desde 2022, desde antes até" e que "realmente, o pessoal trabalha além da capacidade máxima".

Accioly reconheceu aos senadores que "tem acúmulo de processos por pessoa e aquilo poderia ser mais rápido se tivesse mais gente", confirmando deficiências na capacidade operacional do órgão regulador.

Autoridades convidadas e medidas recentes

Para a audiência pública, o ministro Dino convidou diversas autoridades, incluindo:

  • João Accioly, presidente da CVM
  • Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central
  • Ricardo Saadi, presidente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras
  • Andrei Passos Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal

Paralelamente, a própria CVM criou em fevereiro um grupo de trabalho específico para analisar todas as informações relacionadas ao conglomerado Master e à gestora de fundos Reag, suspeita de envolvimento nas fraudes investigadas pela Polícia Federal. O grupo tem como objetivo propor "melhorias estruturais em regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional".

A Comissão de Valores Mobiliários é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda responsável por fiscalizar, normatizar e disciplinar o mercado de valores mobiliários, que inclui ações, debêntures e cotas em fundos de investimento, entre outros instrumentos financeiros. Sua atuação é considerada fundamental para garantir transparência e segurança aos investidores no mercado de capitais brasileiro.

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