MPDFT questiona lei que usa imóveis públicos para salvar BRB e alerta para riscos ambientais
MP questiona lei que usa imóveis públicos para salvar BRB

MPDFT entra com ação contra lei que autoriza uso de imóveis públicos para salvar BRB

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a lei que permite ao governo do DF utilizar imóveis públicos para reforçar o caixa do Banco de Brasília (BRB). A medida judicial busca a suspensão imediata dos dispositivos legais que tratam da transferência de patrimônio público, com efeitos gerais até o julgamento definitivo da ação.

Irregularidades apontadas pelo Ministério Público

Na ação, a Procuradoria-Geral de Justiça argumenta que a norma desrespeita exigências da Lei Orgânica do Distrito Federal e pode comprometer seriamente o patrimônio público. Segundo o MPDFT, embora o fortalecimento do BRB tenha relevância pública, isso não pode ocorrer sem o devido respeito às regras constitucionais e à proteção do patrimônio urbanístico e ambiental da capital federal.

O órgão ministerial elenca uma série de irregularidades na legislação questionada:

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  • Permissão para desafetação e alienação de imóveis públicos sem observância dos requisitos legais estabelecidos
  • Falta de comprovação documentada do interesse público na operação
  • Ausência de avaliação prévia dos imóveis que seriam transferidos
  • Inexistência de audiência pública com a população diretamente interessada
  • Falta de relação direta entre os imóveis e a atividade bancária do BRB
  • Ausência de estudos sobre os impactos patrimoniais para as entidades envolvidas

Riscos ambientais na Serrinha do Paranoá

Um dos pontos mais críticos destacados pelo MPDFT refere-se aos potenciais danos ambientais. A ação judicial menciona especificamente a região da Serrinha do Paranoá, área considerada essencial para a recarga hídrica do Distrito Federal.

"Destinar essa área sem estudos prévios e sem participação da sociedade representa risco concreto e potencialmente irreversível para toda a população", alerta o Ministério Público em sua petição inicial. O órgão ressalta que a lei não apresenta qualquer análise de impacto ambiental na destinação dos imóveis públicos.

Vale destacar que, na última quarta-feira (1º), a governadora Celina Leão (PP) anunciou a retirada da Gleba A da Serrinha do Paranoá do plano de salvamento do BRB, em resposta às pressões ambientais.

Contexto da lei e situação do BRB

A legislação questionada foi sancionada em março pelo então governador Ibaneis Rocha, autorizando o Governo do Distrito Federal a utilizar imóveis públicos – incluindo aqueles de empresas estatais – para fortalecer a situação financeira do Banco de Brasília.

A medida surgiu em meio a questionamentos sobre a saúde financeira do BRB, após a descoberta de que a instituição movimentou bilhões de reais em operações com o Banco Master, alvo de investigações por suspeitas de gestão fraudulenta.

A lei cria um verdadeiro "menu" de opções para permitir ao GDF aportar recursos no BRB:

  1. Injeção direta de capital no banco
  2. Integralização de capital com bens móveis ou imóveis
  3. Realização de aportes patrimoniais através de outras formas previstas em lei
  4. Venda de bens públicos para levantamento de recursos
  5. Contratação de operações de crédito com limite máximo de R$ 6,6 bilhões

Os bens que podem ser utilizados incluem patrimônio do próprio GDF, da Terracap, da Novacap, da CEB ou da Caesb. O dinheiro obtido através dessas operações seria destinado exclusivamente ao reforço patrimonial do BRB.

Trajetória judicial da legislação

A lei já passou por controvérsias judiciais anteriores. Em março, a norma chegou a ser suspensa pela Justiça, mas teve sua validade restabelecida no dia seguinte pelo Tribunal de Justiça do DF, que considerou a legislação "presumivelmente constitucional".

Agora, com a ação do MPDFT, a discussão ganha novos contornos jurídicos, colocando em debate não apenas a situação financeira do banco público, mas também a proteção do patrimônio coletivo e ambiental do Distrito Federal.

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