Andriy Yermak, influente político ucraniano e ex-chefe de gabinete do presidente Volodymyr Zelensky, tornou-se oficialmente suspeito nesta terça-feira, 12, em uma ampla investigação de corrupção. As agências anticorrupção da Ucrânia divulgaram um comunicado afirmando que Yermak é suspeito de integrar um grupo criminoso que teria lavado cerca de US$ 10,5 milhões por meio de negócios imobiliários de luxo nos arredores de Kiev.
Investigação e negações
Em entrevista à emissora ucraniana Rádio Liberdade, Yermak negou ser proprietário de imóveis no empreendimento, mas não fez mais comentários sobre o caso. O escândalo faz parte de uma investigação mais ampla sobre corrupção no núcleo de poder da Ucrânia, iniciada em novembro passado, quando Tymur Mindich, ex-sócio de Zelensky, foi apontado como líder de um esquema que distribuiu US$ 100 milhões em propinas na agência estatal de energia atômica.
Além disso, um ex-vice-primeiro-ministro ucraniano e aliado próximo do presidente, Oleksiy Chernyshov, também foi indiciado no âmbito da investigação. Chernyshov já havia sido acusado de abuso de poder em um caso separado.
Reações e contexto
A indignação pública com o inquérito no ano passado já havia levado Yermak a renunciar ao cargo de chefe de gabinete. O assessor de comunicação de Zelensky, Dmytro Lytvyn, afirmou a repórteres nesta terça-feira que era cedo para comentar a suspeita contra o ex-braço direito do presidente, pois os procedimentos judiciais ainda estão em andamento.
Quem é Andriy Yermak
Yermak era amplamente considerado a segunda pessoa mais poderosa da Ucrânia, depois de Zelensky, exercendo influência em quase todas as áreas da política ucraniana — algo visto como desproporcional, já que seu cargo não era eletivo. Ex-produtor de cinema e advogado especializado em entretenimento, ele frequentemente aparecia ao lado do presidente em eventos públicos e foi o principal negociador de Kiev nas negociações de paz com a Rússia, mediadas pelos Estados Unidos. Sua renúncia no ano passado ocorreu em meio a uma ampla reformulação do governo, com o objetivo de restaurar a confiança na presidência, que vinha sendo alvo de críticas por supostamente aproveitar o contexto de guerra para promover uma centralização de poder.



