Ucrânia reconquista quase 500 km² em 2026, mas ofensiva russa não cede
O Comandante em Chefe das Forças Armadas da Ucrânia, Oleksandr Syrskyi, anunciou neste domingo, 5 de abril de 2026, que o país recuperou o controle de 480 km² de território anteriormente ocupado pelas tropas russas ao longo do ano. A informação foi divulgada através do aplicativo Telegram e representa um avanço significativo nas operações militares ucranianas.
Contra-ataques bem-sucedidos nas regiões leste e sudeste
De acordo com o comunicado oficial, as forças ucranianas conseguiram retomar áreas nas regiões leste e sudeste da linha de frente desde janeiro de 2026. No total, doze assentamentos foram reconquistados: oito nos arredores de Dnipropetrovsk e outros quatro no sudeste de Zaporizhzhia.
O presidente Volodymyr Zelensky já havia descrito a situação na linha de frente como "a melhor desde meados de 2023", reforçando o otimismo em relação aos contra-ataques ucranianos. Analistas militares confirmam que Kiev tem sido eficaz em obstruir os avanços russos através de operações táticas precisas.
Rússia mantém ímpeto ofensivo apesar das perdas territoriais
Apesar dos sucessos ucranianos, Syrskyi foi enfático ao destacar que o ímpeto russo não diminuiu. "As tropas russas não estão abandonando seus planos para novas operações ofensivas e estão reorganizando suas forças e equipamentos disponíveis", afirmou o comandante.
Informações da imprensa estatal russa indicam que Moscou continua ganhando terreno no leste de Donetsk e avança sobre o norte de Pokrovsk, um importante centro logístico ucraniano. A região está sob disputa desde meados de 2024 e é considerada essencial pelo Kremlin para consolidar seu controle sobre a província de Donetsk.
Dilemas para o comando militar russo
O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), think tank sediado em Washington, destacou nesta segunda-feira, 6 de abril, que os contra-ataques ucranianos nas direções de Hulyaipole e Oleksandrivka continuam a representar dilemas significativos para o comando militar russo.
Enquanto isso, Syrskyi revelou ter solicitado suprimentos adicionais para reforçar as tropas ucranianas na região, reconhecendo a delicadeza do cenário militar atual.
Conflito já soma quase 500 mil mortos
Iniciada em fevereiro de 2022, a guerra na Ucrânia já resultou na morte de quase 500 mil pessoas, segundo estimativas atualizadas. Os esforços diplomáticos para um possível cessar-fogo, que se intensificaram no ano passado, foram prejudicados pelo conflito em curso no Oriente Médio, que desviou a atenção internacional.
Kiev chegou a sugerir um cessar-fogo temporário durante a Páscoa, mas Moscou respondeu com ataques intensos envolvendo centenas de mísseis e drones em plena luz do dia na semana passada. "Os russos apenas intensificaram seus ataques, transformando o que deveria ter sido silêncio nos céus em uma escalada de guerra na Páscoa", lamentou Zelensky.
A situação permanece extremamente volátil, com a Ucrânia demonstrando capacidade de reconquistar território, mas a Rússia mantendo sua determinação ofensiva e avançando em áreas estratégicas do leste ucraniano.



