Trump rejeita ajuda da Otan em Ormuz e pede que aliança 'fique de fora'
Trump rejeita ajuda da Otan em Ormuz e pede 'fique de fora'

Trump rejeita apoio da Otan para segurança do Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, que recusou uma oferta da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para auxiliar na garantia da segurança do Estreito de Ormuz. Em declarações públicas, Trump pediu explicitamente que a aliança militar "fique de fora" das operações na região, que foi reaberta pelo Irã após um período de bloqueio durante o conflito no Oriente Médio.

Críticas duras à aliança militar ocidental

Em postagem em sua rede social Truth Social, o mandatário americano foi enfático ao rejeitar o apoio: "Agora que a situação no Estreito de Ormuz foi concluída, recebi um telefonema da Otan perguntando se precisaríamos de ajuda. EU DISSE A ELES PARA QUE FIQUEM DE FORA, A MENOS QUE QUEIRAM APENAS CARREGAR SEUS NAVIOS PETROLEIROS". Trump acrescentou que a organização foi "inútil quando foi necessária", reforçando suas críticas históricas aos aliados europeus.

Esta posição contrasta fortemente com os esforços diplomáticos em curso na Europa. Nesta mesma sexta-feira, os líderes da França e do Reino Unido convocaram uma reunião com aproximadamente 40 países – excluindo os Estados Unidos – para discutir estratégias de reabertura permanente do estreito, por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.

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Reunião europeia busca solução sem participação americana

O chanceler alemão, Friedrich Merz, presente no encontro em Paris, manifestou que seria "desejável" a participação dos Estados Unidos em qualquer missão destinada a garantir a liberdade de navegação na região. "Participaríamos das discussões sobre o planejamento militar em andamento e, se possível, acolheríamos com satisfação a participação dos Estados Unidos", declarou Merz.

O líder alemão ressaltou que seu país poderia contribuir com o envio das Bundeswehr (Forças Armadas Alemãs) para uma missão internacional em Ormuz, mas apenas "após um cessar-fogo permanente" e com uma "base sólida legal", como uma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Encontro entre Macron e Starmer define posição defensiva

O presidente francês, Emmanuel Macron, recebeu o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, no Palácio do Eliseu para tratar do assunto. Starmer afirmou que "faria tudo o que pudesse" para aliviar o impacto econômico da guerra no Irã e destravar a crucial passagem marítima.

"A reabertura incondicional e imediata do estreito é uma responsabilidade global, e precisamos agir para fazer com que a energia e o comércio globais voltem a fluir livremente", declarou o premiê britânico, acusando o Irã de "manter a economia mundial como refém" ao bloquear a navegação na região.

Antes da conferência, Macron havia publicado no X (antigo Twitter) que a missão para garantir a segurança da navegação seria "estritamente defensiva", restrita a países não envolvidos no conflito e executada apenas "quando as condições de segurança permitirem".

Histórico de tensões entre Trump e aliados europeus

Ao longo do conflito no Oriente Médio, Trump já havia chamado seus aliados europeus de "covardes" por não se prontificarem a enviar navios de guerra para apoiar uma reabertura forçada de Ormuz – operação que o próprio presidente americano não desejava realizar com sua Marinha.

O mandatário também afirmou que a Otan "deu as costas" aos Estados Unidos, argumentando que Washington sempre forneceu proteção ao continente europeu sem receber contrapartida adequada. Em momentos anteriores, Trump chegou a ameaçar "seriamente" retirar seu país da aliança militar, o que representaria uma ruptura significativa na parceria transatlântica estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.

Reabertura do estreito pelo Irã gera incertezas

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, anunciou nesta sexta-feira que a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está "totalmente liberada". De acordo com o chanceler, a decisão foi tomada após a entrada em vigor de uma trégua no Líbano, uma das múltiplas frentes do conflito no Oriente Médio.

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"Em consonância com o cessar-fogo no Líbano, a passagem de todas as embarcações comerciais pelo Estreito de Ormuz está totalmente liberada durante o restante do período de cessar-fogo, na rota coordenada já anunciada pela Organização de Portos e Assuntos Marítimos da República Islâmica do Irã", escreveu Araghchi no X.

No entanto, permanecem incertezas sobre a duração da abertura. O ministro mencionou o "período restante do cessar-fogo" sem especificar se se referia ao acordo no Líbano (que expira em dez dias) ou à trégua entre Estados Unidos e Irã (válida inicialmente até terça-feira, 21 de abril). Analistas de navegação indicam que a "rota coordenada" mencionada pelo Irã provavelmente se refere a uma passagem próxima à costa iraniana, utilizada por um contingente reduzido de embarcações durante o conflito devido aos riscos de ataques.