Casa Branca esclarece: Trump não definiu prazo para proposta de paz do Irã
Trump não estipulou prazo para proposta de paz do Irã

Casa Branca esclarece posição sobre prazo para proposta iraniana

A Casa Branca emitiu um esclarecimento nesta quarta-feira, 22 de abril de 2026, afirmando que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não estabeleceu um prazo definitivo para que o Irã apresente uma proposta de paz. A declaração foi feita pela secretária de imprensa Karoline Leavitt a jornalistas, em resposta a notícias veiculadas por alguns meios de comunicação.

"O presidente não estabeleceu um prazo definitivo para o recebimento de uma proposta iraniana, ao contrário do que alguns veículos de imprensa que vi hoje noticiaram. Em última análise, o cronograma será ditado pelo comandante-em-chefe", declarou Leavitt.

Extensão do cessar-fogo e bloqueio marítimo

Na véspera, o presidente Trump prorrogou o cessar-fogo em Teerã, poucas horas antes do fim do prazo inicial, para conceder mais tempo às negociações de paz. No entanto, em contrapartida, ordenou que as forças americanas mantenham o bloqueio marítimo atual sobre o Estreito de Ormuz, um dos principais corredores energéticos do mundo.

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Em uma publicação nas redes sociais, Trump justificou a decisão: "Com base no fato de que o governo do Irã está seriamente fragmentado — o que não é inesperado — e a pedido do marechal de campo Asim Munir e do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, fomos solicitados a suspender nosso ataque ao país até que seus líderes e representantes consigam apresentar uma proposta unificada. Diante disso, determinei que nossas Forças Armadas continuem o bloqueio e, em todos os demais aspectos, permaneçam prontas e capazes, e, portanto, estenderei o cessar-fogo até que tal proposta seja apresentada e as negociações sejam concluídas, de uma forma ou de outra".

Reação iraniana e tensões no Estreito de Ormuz

Nesta quarta-feira, o principal negociador do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que um cessar-fogo total só faz sentido se os Estados Unidos encerrarem o bloqueio naval aos portos iranianos. A declaração ocorreu horas depois de a Guarda Revolucionária Islâmica interceptar e apreender dois navios comerciais no Estreito de Ormuz.

Para Teerã, as restrições impostas por Washington configuram uma "violação flagrante" da própria trégua anunciada por Trump. Em publicação nas redes sociais, Ghalibaf argumentou que a reabertura do Estreito de Ormuz é "impossível" enquanto persistirem ações que classificou como violações do cessar-fogo, incluindo o bloqueio naval americano e o que chamou de "beligerância sionista".

Incertezas nas negociações e viagem suspensa

A movimentação ocorre em meio a incertezas crescentes em torno das negociações. A viagem do vice-presidente americano, J.D. Vance, ao Paquistão, onde se esperava que ele se encontrasse com uma delegação iraniana para uma segunda rodada de negociações, foi suspensa após Teerã não confirmar sua participação, conforme informou o jornal The New York Times na terça-feira.

Embora a visita não tenha sido oficialmente cancelada, a suspensão deixa a possibilidade de uma nova reunião por um fio. Vance deveria decolar rumo à capital paquistanesa, Islamabad, para as tratativas de quarta-feira, 22 — prazo limite da frágil trégua, antes da extensão.

Sem uma resposta iraniana, um funcionário do governo americano disse ao NYT que o processo diplomático estava, na prática, paralisado. Segundo o jornal, o vice-presidente poderia partir a qualquer momento se Teerã responder "de uma forma que o presidente Donald Trump considere aceitável".

Divisões internas e obstáculos para um acordo

Autoridades americanas também aguardam um sinal claro de que os negociadores iranianos têm plenos poderes para chegar a um acordo de paz, em meio a um racha entre as lideranças políticas do regime e a Guarda Revolucionária Islâmica. Este é mais um na lista de obstáculos para que Irã e Estados Unidos cheguem a um acordo.

O Pentágono avalia opções militares caso Trump conclua que Teerã não está negociando de boa-fé e decida retomar o conflito. No entanto, a mesma fonte disse ao NYT que o retorno aos bombardeios não é iminente.

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Proposta americana e pontos de atrito

Os Estados Unidos enviaram recentemente uma proposta por escrito aos iranianos com o objetivo de estabelecer uma base que possa nortear negociações mais detalhadas. O documento abrange diversas questões, mas os principais pontos de atrito são os mesmos que têm atormentado os negociadores há mais de uma década:

  • O alcance do programa de enriquecimento de urânio do Irã
  • O destino de seu estoque de urânio enriquecido

Não está claro o que exatamente Washington propôs ou o que Trump estaria disposto a aceitar. Em relação ao urânio, a posição americana tem variado desde exigir que o Irã abandone completamente o enriquecimento até permitir um programa civil limitado sob estrita supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Quanto ao estoque, também há uma ampla gama de opções, incluindo se o Irã deve entregar seu urânio enriquecido diretamente aos Estados Unidos ou transferi-lo para um terceiro país. O que os Estados Unidos poderiam oferecer em troca é, da mesma forma, uma incógnita.

O Irã possui centenas de bilhões de dólares congelados em bancos estrangeiros sob sanções americanas, e autoridades do governo Trump debatem se a liberação de parte desses fundos poderia estar em um acordo final. Pode ser que Washington e seus aliados do Golfo, como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, permitam ainda uma integração mais ampla do Irã à economia.