Trump declara vitória na guerra contra o Irã enquanto negocia acordo de paz
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (24) que autoridades americanas estão em conversas com Teerã para encerrar o conflito no Oriente Médio, que já dura quase um mês. Em declarações contraditórias, Trump garantiu que o Irã "não tem mais líderes" e que "gostariam de fazer um acordo", incluindo o compromisso de nunca desenvolver armas nucleares.
Detalhes do plano de paz americano
Os Estados Unidos enviaram ao Irã um plano de paz abrangente que pode encerrar o conflito, segundo revelações da imprensa americana e israelense. A proposta, transmitida através do Paquistão, contém 15 pontos específicos que abordam questões críticas do programa nuclear e de mísseis balísticos iranianos.
Entre as principais exigências dos Estados Unidos estão:
- Compromisso formal do Irã de não desenvolver armas nucleares
- Limitação significativa do alcance e quantidade de mísseis balísticos
- Desativação completa das usinas de enriquecimento de urânio em Natanz, Isfahan e Fordow
- Cessão do financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah
- Criação de uma zona marítima livre no estratégico Estreito de Ormuz
Contrapartidas e negociações em andamento
Em troca dessas concessões, os Estados Unidos ofereceram suspender as sanções econômicas impostas ao Irã no contexto do programa nuclear. Os norte-americanos também se comprometeram a auxiliar e monitorar o programa nuclear civil iraniano, garantindo seu uso exclusivamente para fins pacíficos.
Segundo informações do The Wall Street Journal, mediadores da Turquia, Egito e Paquistão estão organizando um encontro entre autoridades dos EUA e do Irã para quinta-feira (26). O plano segue, em linhas gerais, as posições que os Estados Unidos já defendiam nas negociações antes do início da guerra em 28 de fevereiro.
Cessar-fogo e contradições nas declarações
O Canal 12 de Israel revelou que a proposta prevê um cessar-fogo inicial de 30 dias para permitir negociações detalhadas. No entanto, enquanto Trump afirma estar em negociações avançadas, o governo iraniano nega categoricamente estar em qualquer diálogo de cessar-fogo com os Estados Unidos.
Esta contradição ocorre em um momento crítico: segundo a agência Reuters, os Estados Unidos preparam o envio de milhares de soldados adicionais para o Oriente Médio. Fontes com conhecimento do assunto indicam que os EUA consideram uma operação terrestre no Irã, com a possível tomada da ilha de Kharg, responsável por aproximadamente 90% das exportações de petróleo iranianas.
Contexto político e repercussões
Ainda não está claro se Israel participou da elaboração do plano de paz ou se concorda com seus termos. Da mesma forma, não se sabe se autoridades iranianas aceitarão as condições propostas, especialmente considerando que o Irã pode exigir reparações pelos bombardeios recentes.
Enquanto isso, uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça-feira mostra que a aprovação do governo Trump caiu para 36%, o menor nível de seu segundo mandato. Analistas atribuem essa queda principalmente às ações de Trump na guerra contra o Irã, com o conflito e a alta dos combustíveis sendo apontados como fatores determinantes.
Até o momento, tanto a Casa Branca quanto o governo do Irã não se manifestaram oficialmente sobre os detalhes específicos do plano de paz, mantendo um clima de incerteza sobre o futuro das negociações e do conflito na região.



