Trump acusa Irã de violar cessar-fogo e envia delegação; petróleo dispara
Os preços do petróleo subiram significativamente na abertura do mercado neste domingo (19), após um impasse entre o Irã e os Estados Unidos impedir a passagem de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz, uma rota crucial para o abastecimento global de energia. Às 20h35, o barril do petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, avançava 7,2%, atingindo US$ 88,57, com a retomada das negociações na Bolsa de Chicago. Simultaneamente, o Brent, referência internacional, subia 6,8%, para US$ 96,58.
Reação do mercado após idas e vindas no estreito
A reação do mercado ocorreu após mais de dois dias de tensões envolvendo o Estreito de Ormuz. Na sexta-feira (17), o Irã, que controla a passagem, anunciou que reabriria totalmente a rota para o tráfego comercial, o que fez os preços do petróleo caírem mais de 9%. No entanto, no sábado (18), Teerã voltou atrás em sua decisão.
Essa mudança veio após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o bloqueio naval americano aos portos iranianos continuaria em vigor. Ao longo do fim de semana, a Guarda Revolucionária do Irã abriu fogo contra embarcações, e neste domingo, Trump informou que forças americanas apreenderam um cargueiro com bandeira iraniana que tentou furar o bloqueio.
Irã classifica ação americana como pirataria e suspende diálogo
O Comando Militar do Irã classificou a ação americana como pirataria e prometeu retaliar. Além disso, a agência estatal iraniana Irna informou que o Irã não participará de uma nova rodada de negociações com os EUA, prevista para segunda-feira (20). A suspensão do diálogo aumenta o risco de retomada da guerra, já que o cessar-fogo entre os dois países termina na quarta-feira (22).
Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, os preços do petróleo têm oscilado fortemente. Antes da guerra, o barril era negociado perto de US$ 70, mas em alguns momentos ultrapassou US$ 119. Na sexta-feira, fechou a US$ 82,59 (WTI) e US$ 90,38 (Brent).
Analistas alertam para pressão prolongada sobre preços
Analistas do setor alertam que, quanto mais tempo o Estreito de Ormuz permanecer fechado, maior pode ser a pressão sobre os preços. Mesmo que um acordo seja fechado para reabrir o estreito, especialistas dizem que pode levar meses até que o fluxo de petróleo volte ao normal e os preços dos combustíveis recuem.
O acúmulo de navios, o receio de novas escaladas e danos à infraestrutura energética durante o conflito podem atrasar significativamente a normalização. A situação continua tensa, com ambos os lados mantendo posições firmes, o que pode impactar ainda mais a economia global nos próximos dias.



