Rússia registra avanço territorial mínimo na Ucrânia em março, o menor em dois anos e meio
Rússia tem menor avanço na Ucrânia em dois anos e meio

Rússia tem menor avanço territorial na Ucrânia em dois anos e meio

Pela primeira vez em mais de dois anos, o Exército russo praticamente não registrou ganhos territoriais significativos na linha de frente do conflito na Ucrânia durante o mês de março. Segundo análise da agência de notícias AFP com base em dados do Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), as forças de Moscou conquistaram apenas 23 quilômetros quadrados em todo o território ucraniano no período, marcando uma desaceleração histórica nos avanços militares.

Desaceleração progressiva desde o final de 2025

Os dados mostram que a Rússia vem reduzindo seu ritmo de avanço desde o final do ano passado, principalmente devido aos contra-ataques localizados realizados pelas forças ucranianas no sudeste do país. Em fevereiro e março, Moscou chegou a perder terreno na seção sul da linha de frente, entre as regiões de Donetsk e Dnipropetrovsk, onde a Ucrânia tem recuperado áreas estratégicas.

Esta situação contrasta fortemente com análises anteriores que mostravam ganhos territoriais russos mais expressivos. Pela primeira vez desde 2023, a Ucrânia conseguiu recuperar o controle de territórios que estavam sob domínio russo, segundo informações divulgadas por Kiev.

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Recuperação territorial ucraniana ganha força

As forças ucranianas retomaram quase totalmente a região leste de Dnipropetrovsk, reduzindo a presença militar russa a apenas três cidades na área. Além disso, recapturaram aproximadamente 400 quilômetros quadrados de território em contra-ataques recentes que se intensificaram ao longo de fevereiro.

Na província vizinha de Zaporizhia, onde Moscou ocupava quase 75% da área total, nove cidades foram recuperadas desde janeiro deste ano. Estes avanços representam uma mudança significativa no cenário do conflito, que completa mais de dois anos de combates intensos.

Falta de recrutas e perdas humanas limitam exército russo

Segundo o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, o cenário atual se deve à incapacidade do Kremlin de repor suas perdas humanas na linha de frente. Em declarações ao jornal italiano Corriere della Sera no início de março, Zelensky afirmou que a Rússia está perdendo até 35.000 soldados por mês, número que equivale aproximadamente ao total de recrutas recém-mobilizados.

Especialistas e autoridades apontam que a principal razão para os ganhos ucranianos está no número relevante de perdas humanas por parte do exército russo e na falta de reposição adequada de soldados. Embora planeje uma ofensiva durante o verão, Moscou tem enfrentado dificuldades para manter um fluxo constante de recrutas, problema que se agrava quando as perdas são expressivas.

Dificuldades na mobilização de tropas

A Rússia, que teve sucesso em mobilizar um alto número de recrutas em 2023 - com números mensais que se aproximavam de 60 mil em alguns períodos - tem enfrentado problemas para compor suas tropas neste ano. Nem mesmo os generosos bônus de assinatura, na casa de dezenas de milhares de dólares, têm sido suficientes para repor o contingente necessário para a linha de frente.

Entre os fatores por trás da queda no recrutamento estão as dificuldades financeiras provocadas pelas sanções ocidentais. Apesar do cenário adverso, o presidente Vladimir Putin parece cauteloso em ordenar uma mobilização em larga escala, temendo uma reação negativa da população russa.

Na avaliação de Zelensky, o exército russo parou de crescer e está "imobilizado, próximo à crise". O líder ucraniano acredita que, uma vez que as forças militares de Moscou começarem a diminuir de forma mais acentuada, negociações sérias poderão começar.

Esta análise representa um momento significativo no conflito, mostrando como a dinâmica militar tem se alterado nos últimos meses, com a Ucrânia recuperando capacidade ofensiva enquanto a Rússia enfrenta limitações logísticas e humanas que impactam seu desempenho no campo de batalha.

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