Exército russo registra avanço mais lento em quase dois anos na Ucrânia
O Exército russo experimentou, durante o mês de fevereiro, seu avanço mais lento na linha de frente do conflito na Ucrânia em quase dois anos, conforme análise de dados divulgada pelo think tank Instituto para o Estudo da Guerra (ISW). Esta significativa desaceleração está diretamente ligada à suspensão do acesso aos terminais de internet da Starlink, o sistema de satélites da SpaceX, ordenada por seu CEO, Elon Musk.
Impacto do corte da Starlink no progresso militar russo
Após o bilionário cortar a rede para as forças de Moscou no front, a Rússia avançou um total de apenas 123 quilômetros quadrados em fevereiro – o menor progresso territorial desde abril de 2024. Esta informação foi confirmada pela agência de notícias AFP, que realizou uma análise com base nos dados do ISW. Em contraste, os soldados ucranianos conseguiram vários avanços localizados durante o mesmo período.
As forças de Kiev obtiveram maior sucesso ao longo da linha de frente sul, empurrando o Exército russo para trás na região de Dnipropetrovsk. Entre os ganhos ucranianos destacam-se:
- Uma conquista de 61 quilômetros quadrados em 15 de fevereiro
- Avances de mais de 50 quilômetros quadrados em 21 de fevereiro
- Conquistas adicionais superiores a 50 quilômetros quadrados em 23 de fevereiro
Moscou, por sua vez, tem avançado lentamente no front leste, aproximando-se dos importantes centros urbanos de Kramatorsk e Sloviansk, localizados na região de Donetsk, no leste da Ucrânia. Atualmente, a Rússia ocupa aproximadamente 20% do território ucraniano.
Negociações de paz em meio a conflitos regionais
As negociações entre Rússia e Ucrânia, mediadas pelos Estados Unidos e previstas para o final desta semana, podem ocorrer na Suíça ou na Turquia. Esta possibilidade surge caso a reunião planejada em Abu Dhabi não seja viável devido à guerra no Oriente Médio, conforme afirmou o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky.
O mandatário também observou que os países ocidentais não deram, até o momento, qualquer indicação de que a entrega de mísseis de defesa aérea vitais para Kiev possa ser prejudicada por compromissos com a defesa do Oriente Médio. A região entrou em guerra após uma sequência de ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, que respondeu com disparos retaliatórios em diversos países do Golfo.
Consequências humanitárias e impasses diplomáticos
O Crescente Vermelho, parte do Movimento Internacional da Cruz Vermelha, divulgou um balanço apontando que 787 pessoas morreram no Irã desde o início do conflito no sábado, com mais de mil bombardeios lançados contra 153 cidades iranianas. Em paralelo, Israel registrou pelo menos 10 mortos, enquanto os ataques retaliatórios iranianos mataram cinco pessoas em países do Golfo. Os Estados Unidos perderam seis soldados na operação.
As negociações de paz entre Rússia e Ucrânia parecem estar em impasse nas últimas semanas devido à insistência do país de Vladimir Putin de que o governo ucraniano entregue a parte restante de sua região de Donbas, no leste do país, que Moscou não controla. Analistas avaliam que as tratativas podem ser prejudicadas pelo foco renovado das atenções internacionais no conflito do Oriente Médio, criando um cenário complexo para a resolução diplomática do conflito na Ucrânia.
