A crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, já começou a impactar a disputa presidencial de 2026. No programa Ponto de Vista, apresentado por Marcela Rahal, o cientista político Leandro Consentino e o editor de Política de VEJA, José Benedito da Silva, analisaram o cenário e apontaram que o desgaste provocado pelos áudios e pelas versões contraditórias do senador expôs um erro estratégico da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O erro estratégico da oposição
Segundo os analistas, a direita apostou cedo demais na candidatura de Flávio e deixou de lado nomes considerados mais competitivos junto ao eleitorado moderado. Consentino afirmou: “A oposição já tinha uma dificuldade crônica de se unir. Agora ela tem uma dificuldade maior ainda de se perfilar em torno de uma candidatura forte e única”. Para ele, o campo conservador abriu mão de alternativas que poderiam dialogar melhor com o centro, como Tarcísio de Freitas e Ratinho Júnior.
Como a crise de Flávio fortaleceu Lula
A primeira pesquisa divulgada após o escândalo já mostrou queda do senador nas intenções de voto. Consentino destacou que o desgaste ficou evidente não apenas nos números, mas também na reação pública dos aliados. “O semblante dos aliados já demonstra o tamanho do estrago que foi feito nessa campanha”, afirmou. O momento acabou funcionando como um alívio político para o governo Lula, que vinha enfrentando dificuldades. “O governo estava enfrentando um mau momento até então e agora se beneficia um pouco dessa derrocada do principal candidato da oposição”, disse.
Possíveis substitutos para Flávio
Consentino afirmou que parte da direita pode buscar aproximação com outros candidatos já colocados na disputa. O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, se afastou rapidamente após o primeiro vazamento dos áudios. “Zema já largou a mão de Flávio na primeira vez”, afirmou. O nome de Ronaldo Caiado pode surgir como alternativa de aproximação futura entre setores da oposição. No entanto, cada nova revelação enfraquece ainda mais a viabilidade política do senador.
Amadorismo na pré-campanha
José Benedito afirmou que a crise expôs fragilidades na estrutura política e de comunicação da pré-campanha de Flávio. “As grandes campanhas presidenciais precisam ser mais profissionais, ter estrutura sólida e gerenciamento de crise”, afirmou. A estratégia adotada parece baseada na expectativa de que o eleitorado antipetista aceite qualquer justificativa. “É tudo muito na base do ‘vamos tentar essa versão para ver se cola’”, disse. Esse ambiente acaba contaminando aliados e aprofundando o desgaste político da candidatura, gerando uma sensação de bagunça.



