Paquistão entrega proposta de cessar-fogo dos EUA ao Irã, mas Teerã nega diálogo
Paquistão entrega plano de cessar-fogo EUA ao Irã

Paquistão atua como intermediário em proposta de cessar-fogo dos EUA para o Irã

O Paquistão entregou formalmente ao governo iraniano uma proposta detalhada dos Estados Unidos para um acordo de cessar-fogo, conforme revelado pelas agências de notícias The Associated Press e Reuters nesta quarta-feira, 25 de março de 2026. O plano abrangente, composto por 15 pontos específicos, busca estabelecer uma trégua nas hostilidades que já duram mais de quatro semanas na região do Oriente Médio.

Detalhes do plano americano de 15 pontos

Duas autoridades paquistanesas, que falaram sob condição de anonimato à Associated Press, detalharam que a proposta inclui o alívio significativo das sanções econômicas contra Teerã, em troca de concessões substanciais por parte do regime iraniano. Entre as exigências americanas estão a cooperação nuclear civil, a redução drástica do programa nuclear iraniano e permissões ampliadas para a fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

O plano também estabelece limites rigorosos para o arsenal de mísseis do Irã, a remoção completa dos estoques de urânio enriquecido, a proibição de novo enriquecimento do material capaz de produzir armas atômicas e a restrição do programa de mísseis balísticos. Um ponto crucial é o fim do financiamento iraniano para a rede de grupos armados que formam o chamado "eixo da resistência" no Oriente Médio.

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Reações contraditórias do governo iraniano

Uma autoridade iraniana confirmou à Reuters o recebimento da proposta americana, indicando que negociações poderiam ser sediadas na Turquia ou no próprio Paquistão, vizinho do Irã que já se ofereceu para abrigar conversas com funcionários americanos ainda nesta semana. Harun Armagan, membro do governo turco, afirmou à agência que seu país "desempenha um papel de intermediário" entre Washington e Teerã.

Contudo, oficialmente, o regime dos aiatolás mantém uma postura de negação. Um porta-voz militar iraniano, Ebrahim Zolfaqari, zombou abertamente dos esforços diplomáticos americanos durante aparição na TV estatal: "Você está negociando consigo mesmo? Pessoas como nós nunca se darão bem com pessoas como vocês. Ninguém como nós fará um acordo com você. Nem agora. Nem nunca."

Esmail Beghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, reforçou essa posição durante aparição televisiva na Índia, observando que os ataques americanos e israelenses contra seu país ocorreram em meio a negociações anteriores sobre o programa nuclear, o que ele classificou como "uma traição à diplomacia" que tornaria inútil qualquer reabertura do diálogo.

Israel informado e mercados reagem com otimismo

Três fontes do gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmaram à Reuters que o governo de Israel foi devidamente informado sobre a proposta americana antes de sua entrega ao Irã. Esta coordenação prévia entre aliados estratégicos demonstra o caráter multilateral da iniciativa diplomática.

Apesar da reticência oficial iraniana, os mercados financeiros reagiram positivamente à possibilidade de uma trégua. Os preços do petróleo, que vinham pressionados pelo conflito, apresentaram queda significativa, enquanto as ações que estavam em baixa se recuperaram nesta manhã. Investidores demonstraram expectativa concreta de um fim para as hostilidades que já mataram milhares de pessoas e provocaram sérios impactos no fornecimento global de combustível.

O Estreito de Ormuz, rota vital por onde passam aproximadamente 20% do petróleo e gás consumidos globalmente, figura como um dos pontos centrais da proposta, com a reabertura segura sendo uma das condições estabelecidas pelos Estados Unidos para o alívio das sanções contra o Irã.

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