Milícias pró-Irã intensificam ataques contra EUA e Israel, colocando Iraque no centro do conflito
Grupos armados alinhados ao Irã têm promovido uma escalada significativa de ataques contra alvos dos Estados Unidos e de Israel em diversas regiões do Oriente Médio, ampliando o conflito que se espalha pela área desde o último fim de semana. As ofensivas representam uma retaliação direta às operações militares desencadeadas por Washington e Tel Aviv, que iniciaram a guerra com um ataque maciço ao território iraniano, resultando na morte do aiatolá Ali Khamenei e de várias figuras da cúpula militar do país.
Declaração conjunta e ameaças a países europeus
Na quinta-feira, 5 de março, as milícias divulgaram uma declaração conjunta alertando nações europeias a não se envolverem no conflito e ameaçando atingir suas bases militares na região. Esta movimentação indica uma possível expansão do embate, com inúmeros ataques reivindicados por facções armadas sendo registrados desde sábado, 28 de fevereiro.
Drones e mísseis foram lançados de regiões no deserto ocidental do Irã em direção a alvos na Jordânia, enquanto militantes afirmaram responsabilidade pelo ataque à base americana no aeroporto de Ebril, localizado no norte do Iraque.
Iraque emerge como frente chave no conflito
Grande parte das mobilizações paramilitares tem origem no Iraque, fazendo com que a nação islâmica surja como uma frente crucial no conflito em andamento. Recentemente, milícias localizadas no sul do país dispararam um míssil em direção ao Kuwait, e a agência estatal iraquiana de notícias informou que uma segunda tentativa de lançamento em direção a um país vizinho foi interceptada na província de Basra.
Tel Aviv também declarou que drones foram lançados em direção a Israel a partir do território iraquiano, embora "não em números significativos". Este cenário não surpreende, uma vez que o Iraque se tornou palco comum de conflitos por procuração desde a invasão americana em 2003.
Suporte iraniano e resposta de Washington e Tel Aviv
Compartilhando uma população de maioria xiita com o Irã, Bagdá frequentemente vê seu vizinho recrutando combatentes em seu território. Para evitar ataques contra seu próprio território e expandir sua influência regional, Teerã dá suporte a estas facções paramilitares, colocando-as sob ordens da Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico que responde diretamente ao líder supremo.
De acordo com especialistas, Washington e Tel Aviv têm buscado degradar a capacidade ofensiva de tais organizações, promovendo ofensivas aéreas e operações de forças especiais em todo o território iraquiano. O Kata’ib Hezbollah, considerado o mais poderoso entre os grupos pró-Irã na região, denunciou uma série de ataques contra suas bases e membros nos últimos tempos, com explosões sendo registradas nas províncias de Babil e Ambar.
Explosões misteriosas e envolvimento de inteligência
Também houve explosões de autoria desconhecida que imobilizaram os sistemas iraquianos de radar que monitoram o tráfego aéreo do país. Questionados pelo jornal britânico The Guardian, dois ex-altos oficiais israelenses afirmaram que seria crível imaginar que serviços de inteligência de Israel estão por trás dos episódios. Um terceiro sugeriu a possibilidade de envolvimento das forças americanas.
Retaliação iraniana e bombardeios regionais
A guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã teve início no sábado, 28 de fevereiro, quando os aliados promoveram um ataque massivo contra diversas regiões no território iraniano. Em retaliação, Teerã bombardeou pelo menos nove países diferentes no Oriente Médio, buscando atingir bases militares e embaixadas americanas na região, o que demonstra a rápida escalada e a complexidade do conflito que agora envolve múltiplos atores e fronteiras.
