Cessar-fogo instável: libaneses retornam a lares devastados após guerra com Israel
Libaneses voltam a casas após cessar-fogo com Israel; incerteza persiste

Cessar-fogo instável: libaneses retornam a lares devastados após guerra com Israel

Após semanas de intensos bombardeios e destruição generalizada, milhares de libaneses deslocados pela guerra entre Israel e o grupo militante xiita Hezbollah começaram a retornar às suas casas nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026. O movimento ocorre após a entrada em vigor de um cessar-fogo negociado entre as partes, mas a instabilidade da trégua e alertas israelenses sobre a continuidade da operação militar geram incerteza entre a população.

Retorno em meio à devastação

Nos subúrbios de Beirute, controlados pelo Hezbollah e fortemente bombardeados pelas Forças de Defesa de Israel desde março, observa-se um intenso movimento de retorno. A libanesa Insaf Ezzeddine, que retornou à capital junto do marido e da filha, relatou à agência de notícias AFP: "Nossa casa sofreu graves danos pelos bombardeios, mas, graças a Deus, anunciaram o cessar-fogo e espero que a guerra termine".

No entanto, nem todos encontram suas propriedades em condições habitáveis. Ali Hamza, outro morador, encontrou sua casa intacta, mas declarou à Reuters: "É impossível viver nessas circunstâncias, e com esse cheiro. Um retorno total é difícil agora", referindo-se ao medo de novos ataques e às condições precárias da região.

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Engarrafamento histórico no sul do Líbano

No sul do país, o retorno assumiu proporções massivas. Dezenas de milhares de pessoas se aglomeraram em um gigantesco engarrafamento na ponte de Qasmiyeh, que liga a região sulista de Tiro ao restante do Líbano. Para muitos, esta é a primeira oportunidade em mais de um mês de verem seus lares novamente.

Mohmmad Abou Raya, de 35 anos e pai de três filhos, preso no congestionamento, afirmou à AFP: "Por sorte, estamos voltando para casa. Mesmo que não consigamos recuperar nossas casas, o importante é voltar para a nossa terra". Suas palavras refletem o sentimento de milhões que buscam reconstruir suas vidas em meio à destruição.

Instabilidade e alertas israelenses

O movimento de retorno ocorre apesar da declaração do ministro da Defesa israelense, Israel Katz, de que o cessar-fogo não significa o encerramento da campanha contra o Hezbollah. Katz afirmou que as Forças de Defesa de Israel pretendem manter suas posições ao sul do Líbano e alertou que, se os combates reiniciarem, todos os moradores que voltaram para suas casas terão que fugir novamente.

A instabilidade da trégua já se manifestou de forma trágica. Treze pessoas morreram na cidade de Tiro minutos antes do cessar-fogo entrar em vigor, atingidas por um bombardeio israelense. O incidente, segundo a AFP, deixou outras 35 pessoas feridas e 15 desaparecidas. Em resposta, as forças armadas do Líbano acusaram Tel Aviv de violar o acordo.

Origens do conflito e perspectivas futuras

As hostilidades entre Israel e Hezbollah tiveram início em março, quando o grupo libanês lançou foguetes contra o norte israelense em retaliação à morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Em resposta, Tel Aviv promoveu uma série de bombardeios contra o Líbano, em um confronto que se estendeu até esta sexta-feira.

Enquanto isso, desenvolvimentos diplomáticos sugerem tentativas de estabilização. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, devem visitar a Casa Branca para uma reunião conjunta com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "nos próximos dias", conforme anunciou o mandatário americano.

As negociações começaram na terça-feira, 14 de abril, com o encontro dos embaixadores dos dois países em Washington. No entanto, o confronto é, na prática, travado entre o Exército israelense e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã e com forte presença no sul libanês, enquanto as forças armadas do Líbano não participam diretamente dos combates.

O acordo de cessar-fogo concede às Forças de Defesa de Israel 60 dias para retirar-se das posições ocupadas, mas a declaração do ministro Katz e os incidentes violentos já registrados lançam dúvidas sobre a durabilidade da paz na região.

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