Israel mantém alerta sobre operação militar no Líbano apesar de trégua
Menos de 24 horas após a entrada em vigor de um frágil cessar-fogo de dez dias, o governo israelense afirmou que sua operação militar no Líbano não terminou, mantendo o cenário de tensão na região. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, fez a declaração nesta sexta-feira, 17 de abril de 2026, alertando que civis libaneses que retornam às suas casas podem ser obrigados a sair novamente se os combates forem retomados.
Trégua instável e acusações mútuas
Apesar do acordo de cessar-fogo, a situação permanece volátil com acusações de violações por ambas as partes. Poucos minutos antes da trégua entrar em vigor na noite de quinta-feira, treze pessoas morreram em bombardeios israelenses na cidade libanesa de Tiro, segundo informações de um funcionário local à agência AFP. Outras 35 pessoas ficaram feridas e equipes de resgate buscam por 15 desaparecidos.
O Exército do Líbano acusou Israel de cometer "atos de agressão" em violação ao acordo, enquanto o Hezbollah anunciou ter atacado soldados israelenses em resposta. O grupo libanês afirmou que seus combatentes mantêm "o dedo no gatilho" caso os termos do acordo sejam desrespeitados, condicionando o respeito ao cessar-fogo à retirada das tropas israelenses do país.
Civis em meio à incerteza
Mais de 1 milhão de pessoas foram obrigadas a deixar suas casas devido aos bombardeios na região sul do Líbano, considerada um reduto do Hezbollah. Com o início da trégua, milhares de civis deslocados começaram a retornar, criando engarrafamentos na única ponte que permite atravessar o rio Litani para acessar o sul do país.
No entanto, tanto as Forças de Defesa de Israel quanto o Exército do Líbano orientaram os deslocados a não voltarem para suas casas tão cedo, alertando sobre a instabilidade da situação. "As manobras em terra no Líbano e os ataques contra o Hezbollah permitiram alcançar muitos alvos", declarou o ministro Katz, "mas a operação não terminou".
Negociações internacionais em andamento
Enquanto as tensões persistem no terreno, esforços diplomáticos continuam. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, devem visitar a Casa Branca para uma reunião conjunta com o presidente americano Donald Trump "nos próximos dias", conforme anunciado pelo próprio Trump.
As negociações começaram na terça-feira, 14 de abril, com o encontro dos embaixadores dos dois países em Washington. No entanto, o confronto é, na prática, travado entre o Exército israelense e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã com forte presença no sul libanês, enquanto as forças armadas do Líbano não participam diretamente dos combates.
Contexto histórico do conflito
As tensões entre Israel e Líbano remontam à década de 1970, com episódios marcantes como as incursões militares israelenses em 1978 e 1982, em resposta a ataques de milícias pró-Palestina. O Líbano foi arrastado para a atual guerra — iniciada em 28 de fevereiro com ataques israelenses e americanos ao Irã — no dia 2 de março, quando o movimento xiita abriu uma frente de combate contra Israel em retaliação à morte do líder supremo Ali Khamenei.
Segundo as autoridades libanesas, os ataques israelenses mataram mais de 2.000 pessoas e deslocaram pelo menos um milhão desde o início do conflito atual. O cenário permanece incerto, com a frágil trégua sendo testada a cada hora e a possibilidade de retomada dos combates pairando sobre a região.



