Israel intensifica ofensiva contra o Hezbollah no Líbano em meio a nova escalada bélica
Na noite desta segunda-feira (2), as forças israelenses desencadearam uma nova onda de ataques aéreos em grande escala contra posições do grupo Hezbollah no Líbano. A ação ocorreu após o governo israelense emitir um alerta urgente para que moradores da capital libanesa abandonassem imediatamente as áreas próximas aos redutos da organização.
Baixas e destruição em Beirute
Até o momento, a resposta israelense a um ataque prévio dos extremistas resultou em 52 mortos na cidade de Beirute. Entre as vítimas fatais está o chefe de outro grupo considerado terrorista, a Jihad Islâmica. O conflito no Oriente Médio adquiriu assim uma nova e perigosa frente que ameaça expandir-se regionalmente.
No domingo (1º), o Hezbollah havia iniciado esta rodada de hostilidades ao lançar mísseis e drones contra território israelense. A retaliação israelense foi imediata e violenta, com prédios completamente destruídos ao sul da capital libanesa. Imagens registradas em Baabda, nos arredores de Beirute, mostram uma sequência assustadora de explosões concentradas na mesma região.
Êxodo em massa e relatos de terror
Em Sidon, no sul do Líbano, formaram-se longas filas de carros nas estradas nesta segunda-feira (2) enquanto famílias inteiras fugiam às pressas da região. Levando crianças, idosos e os poucos pertences que conseguiam carregar, os libaneses enfrentam um cenário de desespero e incerteza.
Ferial Sawan, uma moradora dos subúrbios do sul, relatou o momento de pânico quando três explosões atingiram sua região. "Meus filhos acordaram para a refeição da madrugada do Ramadã, mas tiveram que fugir sem comer", contou ela, ilustrando o trauma vivido pela população civil.
Alvos militares e financiamento iraniano
O Exército israelense afirmou ter atingido em seus ataques um alto integrante do Hezbollah, além de centros de comando e uma instituição financeira ligada ao grupo. É importante destacar que o Hezbollah recebe financiamento e armamentos da Guarda Revolucionária do Irã e é designado como organização terrorista pela União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos, entre outras nações.
A última guerra declarada entre Israel e o Hezbollah ocorreu em 2006 e deixou mais de mil mortos no Líbano. Em outubro de 2023, quando começou o conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, o Hezbollah também lançou foguetes contra Israel. Um cessar-fogo estabelecido um ano depois reduziu, mas não eliminou completamente os ataques, com ambas as partes acusando-se mutuamente de violações do acordo.
Cenário político e econômico crítico
O Líbano, com aproximadamente 5,5 milhões de habitantes, enfrenta atualmente uma das piores crises econômicas de sua história. Milhões de libaneses vivem fora do país - a diáspora é maior do que a população que permanece no território nacional.
Pela primeira vez em um conflito com Israel, o governo libanês anunciou a proibição das atividades militares do Hezbollah e exigiu que o grupo entregue todas as suas armas. O Hezbollah, no entanto, rejeitou categoricamente o pedido das autoridades libanesas.
Risco de invasão e impacto internacional
Questionado sobre uma possível invasão terrestre israelense ao Líbano, um porta-voz militar israelense declarou que "todas as opções estão sobre a mesa", aumentando a apreensão sobre uma escalada ainda mais grave do conflito.
A crise já provoca repercussões internacionais significativas. A Itália informou que recebeu de países do Golfo apelos por apoio logístico e envio de suprimentos. O ministro da Defesa italiano relatou que os pedidos mais urgentes são por sistemas de mísseis para defesa antiaérea, indicando a gravidade da situação regional.
Esta nova ampliação do conflito no Oriente Médio representa um risco sério de desestabilização regional, com potenciais consequências globais caso as hostilidades continuem a intensificar-se nas próximas semanas.
