Israel inicia nova onda de ataques a Teerã; Irã fecha Estreito de Ormuz e ameaça navios
O Exército de Israel confirmou o início de uma nova onda de ataques contra Teerã, capital do Irã, por volta das 18h30 desta segunda-feira (2), horário de Brasília, que corresponde à madrugada de terça-feira no fuso local. De acordo com informações da mídia iraniana, ao menos duas explosões foram registradas nas proximidades da sede da emissora estatal do país, intensificando o conflito que já dura semanas.
Irã anuncia fechamento do Estreito de Ormuz e ameaça embarcações
Em resposta aos ataques, o Irã anunciou nesta segunda-feira (2) o fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais críticas para a exportação global de petróleo. A mídia estatal iraniana divulgou um comunicado em nome do comandante da Guarda Revolucionária, afirmando que qualquer navio que tentar passar pelo local será incendiado. Ebrahim Jabari, um dos principais assessores do comandante, declarou: "O estreito está fechado. Se alguém tentar passar, os heróis da Guarda Revolucionária e da Marinha regular incendiarão esses navios."
Esta medida é uma retaliação direta pela morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e representa o aviso mais explícito do país desde o anúncio inicial do fechamento no sábado (28). O Estreito de Ormuz conecta os maiores produtores de petróleo do Golfo, como Arábia Saudita, Irã, Iraque e Emirados Árabes Unidos, com o Golfo de Omã e o Mar Arábico. Seu bloqueio ameaça interromper aproximadamente um quinto do fluxo global de petróleo, podendo elevar drasticamente os preços do barril para além de US$ 100.
Ataques e ameaças anteriores escalam tensão
Mais cedo, a Guarda Revolucionária iraniana já havia realizado um ataque com drones a um petroleiro que transitava pelo estreito. Fontes ouvidas pela agência Reuters confirmaram o incidente e identificaram a embarcação atingida como Athen Nova. Antes do fechamento, a unidade de elite do Corpo da Guarda Revolucionária emitiu uma ameaça, afirmando que os "inimigos que mataram" Khamenei não estarão seguros "nem mesmo em casa".
Em um post na plataforma X, também nesta segunda-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, pediu que os Estados Unidos e Israel sejam responsabilizados por ataques a uma escola e um hospital iranianos. Os bombardeios citados deixaram 168 mortos em uma escola de meninas no sul do país no sábado (28) e atingiram um hospital em Teerã no domingo (1º). Pezeshkian escreveu: "Um ataque a um hospital é um ataque à vida, e um ataque a uma escola é um ataque ao futuro de uma nação. Atacar pacientes e crianças é uma clara violação de todos os princípios humanitários." Nem os EUA nem Israel confirmaram responsabilidade por esses ataques.
Discurso de Trump defende ofensiva e prolonga conflito
Em discurso na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu sua ofensiva no Irã, declarando que os ataques são "a nossa última e melhor chance de eliminar a ameaça do regime iraniano". Ele previu que o conflito deve durar "quatro ou cinco semanas ou mais", com objetivos que incluem destruir mísseis, desmantelar a Marinha iraniana e interromper as ambições nucleares do país.
Trump indicou não estar disposto a retomar diálogos com Teerã, criticando negociações anteriores sobre não proliferação nuclear. "Não dá lidar com essas pessoas", afirmou durante uma cerimônia de concessão de medalhas a veteranos. Ele reiterou que o Irã expandia seu programa de mísseis rapidamente, representando uma ameaça aos EUA e aliados, e celebrou ter derrubado o acordo nuclear do ex-presidente Barack Obama.
Até o momento, as Forças Armadas norte-americanas confirmaram a morte de quatro militares, com outros 18 soldados feridos em estado grave após retaliações iranianas, segundo a CNN Internacional. Trump afirmou que os EUA já destruíram capacidades de mísseis iranianos e afundaram pelo menos 10 navios, com uma "grande leva de ataques ao Irã ainda por vir".
O conflito entre EUA, Israel e Irã escalou significativamente após a morte do aiatolá Ali Khamenei, com ações militares e retaliações que continuam a moldar o cenário geopolítico global, especialmente no que diz respeito à segurança energética e estabilidade regional.
