Israel intensifica ofensiva com ataques a Teerã e alertas de evacuação
O exército de Israel anunciou nesta segunda-feira (2) uma nova onda de ataques contra a capital iraniana, Teerã, e emitiu alertas de evacuação para áreas estratégicas. A ação ocorre após a eliminação de um alto comandante da Jihad Islâmica Palestina no Líbano, identificado como Abu Hamza Rami.
Eliminação de comandante e justificativa militar
Segundo comunicado oficial divulgado nas redes sociais, as Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram a morte de Abu Hamza Rami, descrito como uma figura central no grupo terrorista. O militar ocupava um dos principais postos há anos e foi responsável por centenas de ataques contra soldados israelenses e civis. Além disso, ele coordenava o recrutamento e treinamento de militantes, além de facilitar a aquisição de armas.
Durante a Operação Northern Arrows, Rami supervisionou a movimentação de integrantes da Jihad Islâmica Palestina na fronteira entre Síria e Líbano, organizando ações contra tropas israelenses no sul do Líbano. O exército israelense afirmou que sua morte enfraquece significativamente a capacidade do grupo de realizar ataques contra Israel.
Novos ataques a Teerã e evacuações ordenadas
Por volta das 18h30 de segunda-feira (2), horário de Brasília, Israel iniciou bombardeios contra o complexo da emissora estatal iraniana, IRIB, em Teerã. Antes do ataque, alertas de evacuação foram enviados aos moradores da região. A mídia iraniana confirmou o incidente, relatando ao menos duas explosões nas proximidades da sede da emissora.
Além da capital iraniana, o Exército israelense ordenou a evacuação de residentes em um subúrbio ao sul de Beirute, capital do Líbano. As ações refletem uma escalada nas operações militares israelenses na região.
Resposta iraniana e ameaças ao Estreito de Ormuz
Em retaliação, a Guarda Revolucionária do Irã emitiu várias ameaças, confirmando o fechamento do Estreito de Ormuz. Ebrahim Jabari, um dos principais assessores do comandante, declarou que qualquer navio que tentar passar pelo local será incendiado. Esta é a advertência mais explícita desde o anúncio inicial do bloqueio no sábado (28), medida apresentada como resposta à morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei.
O Estreito de Ormuz é uma rota crucial para a exportação global de petróleo, conectando grandes produtores do Golfo com o Golfo de Omã e o Mar Arábico. Seu fechamento pode interromper um quinto do fluxo mundial de petróleo e elevar drasticamente os preços do barril, possivelmente ultrapassando a marca de US$ 100. Anteriormente, a Guarda Revolucionária já havia atacado um petroleiro na área, identificado como Athen Nova.
Contexto de tensões e acusações internacionais
A Guarda Revolucionária também ameaçou que os inimigos responsáveis pela morte de Khamenei não estarão seguros em nenhum lugar do mundo, nem mesmo em seus lares. Paralelamente, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, utilizou a rede social X para pedir que Estados Unidos e Israel sejam responsabilizados por ataques a uma escola e um hospital no Irã.
Os bombardeios citados por Pezeshkian atingiram uma escola de meninas no sul do país, resultando em 168 mortos no sábado (28), e um hospital em Teerã no domingo (1º). Nem os Estados Unidos nem Israel confirmaram autoria nos ataques. O presidente iraniano enfatizou que atacar pacientes e crianças viola princípios humanitários e que a República Islâmica do Irã não se calará diante de tais crimes.
Esta sequência de eventos marca um agravamento significativo no conflito, com implicações tanto regionais quanto globais, especialmente no que diz respeito à segurança energética e à estabilidade geopolítica no Oriente Médio.



