Israel intensifica ofensiva no Líbano com bombardeios em Beirute e operação terrestre
O Exército israelense realizou nesta quarta-feira (18) um ataque aéreo massivo no centro de Beirute, capital do Líbano, resultando em 12 mortos e 41 feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês. Entre as vítimas está Mohammed Cherri, diretor de programas políticos da emissora Al-Manar, ligada ao Hezbollah, que faleceu junto com sua esposa quando seu prédio residencial no bairro de Zokak al-Blatt foi atingido. Seus filhos e netos ficaram feridos no ataque.
Destruição e pânico na capital libanesa
Três bairros densamente povoados de Beirute, incluindo áreas próximas à sede do governo e embaixadas, foram alvo dos bombardeios israelenses. No bairro de Bachoura, um edifício desabou completamente após um alerta israelense, cobrindo as ruas com destroços. "Eram quatro da manhã, estávamos dormindo", relatou Sarah Saleh, de 29 anos, deslocada da periferia sul de Beirute. "Saímos correndo de pijama e fomos para uma praça no centro da cidade".
Em Zokak al-Blatt, um prédio que abriga uma filial da instituição financeira Al-Qard Al-Hassan, associada ao Hezbollah e já atingida na semana passada, voltou a ser bombardeado. Moradores continuam removendo escombros e estilhaços de vidro, enquanto máquinas desobstruem vias sob o zumbido constante de drones israelenses sobrevoando a capital.
Medo e deslocamento em massa
"Minha família e eu ficamos aterrorizados", disse Haidar, comerciante de 68 anos, à AFP. "Quando não há aviso, é muito difícil". Sua esposa, tomada pelo medo, tentou encontrar abrigo em outro lugar após múltiplos ataques no bairro desde o início do conflito. Zainab, de 65 anos, descreveu: "O bombardeio foi muito forte, como se estivesse acontecendo sobre nossas cabeças. Estamos com medo, a cada uma ou duas horas eles atacam algum lugar. Mas para onde deveríamos ir?".
O conflito já causou pelo menos 912 mortos no Líbano, incluindo 111 crianças, e forçou mais de um milhão de pessoas – mais de um sexto da população – a abandonar suas casas. Em Saïda, principal cidade do sul, um ataque a um carro matou duas pessoas, incluindo um socorrista, perto da orla marítima onde deslocados dormem em veículos.
Operação terrestre e evacuações forçadas
Paralelamente aos bombardeios, o Exército israelense anunciou o início de operações terrestres limitadas contra o Hezbollah no sul do Líbano e revelou planos para destruir pontes sobre o rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira, visando interromper o apoio militar ao grupo pró-Irã. A população foi orientada a evacuar a área ao sul do rio.
Na noite de quarta-feira, uma ordem de evacuação israelense provocou pânico na cidade histórica de Tiro, cujas ruínas são Patrimônio Mundial da Unesco. Centenas de famílias fugiram para Saïda, enquanto outras se concentraram nos bairros antigos não incluídos na ordem.
Ataques se estendem ao leste do Líbano
A aviação israelense também bombardeou o leste do Líbano, reduto do Hezbollah. Quatro pessoas morreram em Baalbek, cidade que abriga templos romanos classificados pela Unesco, e outras quatro em Yohmor. Um correspondente da AFP em Baalbek presenciou um prédio residencial de dois andares completamente destruído no centro da cidade.
Em resposta, o Hezbollah afirmou ter lançado uma grande onda de ataques contra o norte de Israel, disparando foguetes e mísseis sofisticados contra cerca de uma dúzia de cidades e várias bases militares israelenses, incluindo instalações aéreas e navais.
O conflito regional teve início em 2 de março, quando o Hezbollah atacou Israel, que respondeu com uma ampla campanha de bombardeios. Desde então, a violência tem escalado rapidamente, com consequências humanitárias devastadoras para a população civil libanesa.
