Irã intensifica ataques a Tel Aviv com bombas de fragmentação enquanto autoridades defendem estabilidade do regime
A diretora de Inteligência Nacional dos Estados Unidos, Tulsi Gabbard, afirmou nesta quarta-feira (18) que o governo do Irã foi enfraquecido, mas permanece intacto e continua capaz de atacar os interesses dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio. A declaração foi feita durante a abertura da audiência anual do Comitê de Inteligência do Senado sobre Ameaças Globais aos Estados Unidos, que deve focar em debates sobre a guerra com o Irã, já em sua terceira semana.
Alerta sobre capacidade ofensiva iraniana
"O regime no Irã parece estar intacto, mas em grande parte enfraquecido pela Operação Epic Fury", disse Gabbard. "Mesmo assim, o Irã e seus parceiros continuam capazes de atacar interesses dos EUA e de seus aliados no Oriente Médio e continuam a fazê-lo. Se um regime hostil sobreviver, buscará iniciar um esforço de anos para reconstruir suas forças de mísseis e drones", completou a diretora de Inteligência.
O discurso ocorre em um momento de escalada militar, com o Irã lançando mísseis de fragmentação contra Israel na madrugada desta quarta-feira como retaliação pela morte de Ali Larijani, líder efetivo do regime, em um bombardeio israelense na noite de segunda-feira. Israel respondeu com mísseis contra território iraniano, enquanto o Exército dos EUA afirmou ter bombardeado o sul do Irã com bombas de penetração.
Chanceler iraniano defende estrutura política sólida
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, concedeu entrevista ao jornal "Al Jazeera" nesta quarta-feira, onde afirmou que a morte de Larijani não desestabilizará o sistema político de Teerã. "A República Islâmica do Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais estabelecidas. A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura", declarou Araqchi.
O chanceler iraniano fez referência a uma decisão do líder supremo Ali Khamenei antes do conflito, que nomeou múltiplas camadas de sucessão para cargos-chave do regime. "Se o ministro das Relações Exteriores viesse a ser morto, inevitavelmente haveria outra pessoa para ocupar o cargo", acrescentou, em alusão a si mesmo.
Posição sobre programa nuclear e Estreito de Ormuz
Durante a entrevista, Araqchi também abordou outros temas cruciais:
- Programa nuclear: Afirmou que a doutrina nuclear iraniana não deve mudar significativamente, reiterando que Teerã sempre negou ter intenção de desenvolver armas atômicas e mantém que seu programa tem fins pacíficos.
- Estreito de Ormuz: Disse acreditar que, após o fim do conflito, os países banhados pelo Golfo Pérsico deveriam elaborar um novo protocolo para garantir passagem segura de navios, alinhada aos interesses regionais.
- Efeitos globais: Alertou que os impactos globais da guerra, que entrou em seu 19º dia, estão apenas começando.
Contexto de tensões e declarações recentes
O presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a comentar sobre o Irã na terça-feira, afirmando que "não podemos permitir que lunáticos tenham armas nucleares". Ele observou que o novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, ainda não se manifestou publicamente sobre o tema das armas nucleares, lembrando que seu antecessor se opunha a elas.
A guerra tem causado danos significativos na região, com Araqchi mencionando que 53 hospitais foram atingidos, muitas escolas atacadas (incluindo a escola de Minab, onde 168 alunos morreram), além de bancos e edifícios residenciais bombardeados. "Figuras políticas, civis, estudantes e professores universitários — todos os tipos de pessoas foram alvo", lamentou o chanceler.
Defesa das ações iranianas e responsabilização aos EUA
Araqchi defendeu as ações do Irã, argumentando que o país não ampliou a guerra, mas apenas respondeu aos ataques. "Se os EUA nos atacarem, nossas forças armadas e mísseis não podem alcançar os EUA diretamente. Portanto, somos obrigados a atingir as bases militares americanas na região e seus equipamentos", explicou.
O chanceler também negou que o Irã tenha como alvo civis em países vizinhos, atribuindo quaisquer danos colaterais ao comportamento dos Estados Unidos. "Posso afirmar com segurança que não atacamos alvos civis em países vizinhos. Pode haver danos colaterais, mas esse não é nosso objetivo", afirmou, acrescentando que o presidente iraniano, Sr. Pezeshkian, já pediu desculpas às populações locais por eventuais transtornos causados.
"Nós não iniciamos esta guerra; apenas nos defendemos", concluiu Araqchi, reforçando a posição do Irã de que a responsabilidade pela escalada do conflito recai sobre os Estados Unidos.



