Conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã atinge quinto dia com expansão regional e mais de mil mortos
A guerra envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel completou cinco dias nesta quarta-feira (4 de março de 2026), marcando mais uma etapa de escalada no já conturbado cenário do Oriente Médio. Entre a noite de terça-feira (3) e a manhã desta quarta, novos ataques foram registrados em diferentes países da região, com lançamentos de mísseis e drones ampliando o alcance do conflito. Simultaneamente, governos estrangeiros começaram a reagir de forma mais direta à crise, enquanto o Irã se prepara para o funeral de seu líder supremo, Ali Khamenei, morto nos ataques realizados por Estados Unidos e Israel no fim de semana.
Expansão do conflito e novos ataques
Nas últimas horas, o cenário indica que o conflito deixou de ser apenas um confronto direto entre Irã e Israel e passou a atingir uma parte significativamente maior do Oriente Médio. Israel afirmou nesta quarta-feira que iniciou uma nova onda de bombardeios contra Teerã, capital do Irã, com explosões registradas em diferentes partes da cidade segundo a imprensa local. Os ataques também atingiram Beirute, no Líbano, onde regiões associadas ao Hezbollah – grupo armado aliado do Irã – voltaram a ser alvo das ofensivas israelenses.
Em resposta, o Irã ampliou seus ataques, lançando mísseis e drones contra Israel e países do Golfo como Catar e Kuwait. Este último informou ter interceptado projéteis em seu espaço aéreo. É importante destacar que esses países não participam diretamente da guerra, mas abrigam bases militares americanas, o que os transforma em possíveis alvos de retaliação iraniana.
Origens e desenvolvimento do conflito
Por que a guerra começou: Estados Unidos e Israel afirmam que atacaram o Irã porque temem que o país esteja se aproximando da capacidade de produzir uma arma nuclear. O ponto central da disputa é o enriquecimento de urânio, processo que pode ser usado tanto para energia quanto para fabricar bombas.
O estopim: no sábado (28 de fevereiro), Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos militares e nucleares no Irã. No bombardeio, morreu o líder supremo iraniano, Ali Khamenei.
Resposta iraniana: o Irã passou a lançar mísseis e drones contra Israel e países do Golfo, onde existem bases militares americanas.
Expansão regional: ataques já atingiram também Líbano, Iraque, Kuwait e Emirados Árabes Unidos, elevando o risco de uma guerra regional mais ampla.
Impacto humanitário e balanço de mortos
A guerra já deixou centenas de mortos em vários países do Oriente Médio e também entre militares americanos. Segundo a organização humanitária iraniana Crescente Vermelho, o número de mortos no Irã já ultrapassou mil desde o início dos bombardeios. O balanço mais recente inclui:
- Irã: mais de mil pessoas morreram
- Israel: 10 civis morreram, incluindo nove pessoas atingidas por um míssel iraniano em Beit Shemesh
- Líbano: 50 pessoas morreram em ataques israelenses
- Kuwait: três pessoas morreram, incluindo dois soldados kuwaitianos
- Emirados Árabes Unidos: três pessoas morreram
- Militares dos EUA: seis soldados americanos morreram em um ataque no Kuwait
Petróleo no centro da crise
Um dos desenvolvimentos mais preocupantes do conflito é o bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. O presidente americano Donald Trump afirmou que os Estados Unidos podem escoltar petroleiros para desafiar o bloqueio, enquanto a Guarda Revolucionária iraniana disse ter controle total sobre o estreito. Esta movimentação coloca em risco o fluxo global de energia e pode ter impactos econômicos significativos.
Reações internacionais e tensões diplomáticas
A guerra também provocou reações entre países ocidentais. O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, criticou os ataques e disse que Donald Trump estaria "brincando de roleta russa com o destino de milhões de pessoas". A crise aumentou depois que a Espanha se recusou a permitir que os Estados Unidos usassem bases militares do país para a ofensiva.
Em resposta, Trump ameaçou romper as relações comerciais com o governo espanhol, ampliando a tensão diplomática entre os dois países. Outros países europeus também demonstraram preocupação com a escalada da guerra. França, Grécia e Reino Unido anunciaram o envio de aparatos militares para o Oriente Médio, que devem ficar estacionados na costa do Chipre.
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou que o conflito representa uma ameaça à segurança internacional e defendeu o fortalecimento da defesa europeia. Ele também anunciou que a França pretende aumentar o número de ogivas nucleares de seu arsenal, reforçando a estratégia de dissuasão militar do país.
Disputa pela sucessão no Irã
Outro ponto de tensão envolve a sucessão política no Irã. Com a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, o país precisa escolher um novo representante. Essa decisão cabe à Assembleia dos Peritos, um conselho religioso formado por 88 aiatolás. Na manhã desta quarta-feira, o órgão afirmou estar "perto" de escolher o próximo líder supremo do país.
Na terça-feira (3), Israel afirmou ter bombardeado o prédio da assembleia na cidade de Qom, onde os clérigos estariam reunidos. Não foram divulgadas, até o momento, informações sobre mortos ou feridos. Entre os possíveis sucessores está Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder. Autoridades israelenses afirmaram que qualquer novo sucessor de Ali Khamenei será considerado um alvo do Exército israelense, caso mantenha a política de confronto com o país.
Posicionamentos oficiais
Estados Unidos: O presidente Donald Trump voltou a defender a ofensiva militar e disse que as operações contra o Irã estão tendo sucesso. Segundo ele, "praticamente tudo foi destruído no Irã". Autoridades militares americanas afirmam que cerca de 2 mil alvos já foram atingidos e 17 embarcações iranianas foram destruídas.
Irã: Do lado iraniano, autoridades afirmaram que não há negociação possível neste momento e que o país está preparado para continuar a guerra. Um general da Guarda Revolucionária disse ainda que, se os ataques continuarem, centros econômicos do Oriente Médio poderão se tornar alvos.
Enquanto isso, a situação no Oriente Médio continua em rápida evolução. Os próximos dias serão decisivos para saber se o conflito ficará restrito à região ou se poderá provocar uma crise internacional ainda maior, com implicações globais para a segurança, economia e estabilidade política mundial.



