Guarda Revolucionária do Irã: o pilar militar e econômico do regime
A Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) representa a organização armada mais poderosa do país e um dos principais sustentáculos do regime dos aiatolás. Criada após a Revolução Iraniana de 1979, que transformou o Irã em uma república islâmica teocrática, a instituição foi concebida para proteger o novo regime, enquanto o Exército tradicional cuidava da defesa territorial.
Estrutura e influência direta no poder
A Guarda Revolucionária está subordinada diretamente ao líder supremo, posição que era ocupada pelo aiatolá Ali Khamenei até seu falecimento em ataques conjuntos dos Estados Unidos e Israel no último sábado. Estimativas do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos indicam que a força reúne aproximadamente 125 mil integrantes, embora Teerã não divulgue números oficiais.
Além de contar com suas próprias forças terrestres, navais e aéreas, a IRGC mantém uma influência profunda na estrutura política iraniana. Ex-oficiais da Guarda ocupam cargos importantes no governo, no Parlamento e em diversos órgãos políticos, consolidando seu poder além das esferas militares.
Domínio econômico e atuação estratégica
No campo econômico, uma análise da BBC revela que a Guarda Revolucionária controla, direta ou indiretamente, cerca de um terço da economia iraniana através de subsidiárias e fundos. Sua atuação abrange setores cruciais como:
- Construção de infraestrutura (estradas, represas, ferrovias e metrôs)
- Indústria automobilística
- Mercado de petróleo e gás
- Mineração e setor farmacêutico
- Mercado imobiliário e redes informais de comércio
Papel no exterior e sanções internacionais
No cenário internacional, a brigada Quds da Guarda Revolucionária oferece apoio a grupos alinhados ideologicamente ao Irã, incluindo:
- Hezbollah no Líbano
- Hamas na Faixa de Gaza
- Milícias xiitas no Iraque
- Grupos houthis no Iêmen
Este conjunto de alianças forma o chamado "Eixo da Resistência", que se opõe à influência dos Estados Unidos e de Israel na região. Como consequência dessa atuação, a Guarda Revolucionária enfrenta sanções internacionais há anos. Em 2019, durante o primeiro governo de Donald Trump, os Estados Unidos classificaram a instituição como organização terrorista, medida posteriormente adotada por Canadá, Austrália e, em janeiro, pela União Europeia.
Onda recente de ataques e tensões
No sábado, 28 de março, Estados Unidos e Israel lançaram um ataque conjunto contra o Irã que resultou na morte de dezenas de comandantes militares, políticos e do líder supremo Khamenei. Em resposta, Teerã iniciou uma campanha de bombardeios sem precedentes a bases americanas no Oriente Médio.
O presidente Donald Trump acusou o Irã de "travar uma guerra contra a civilização" e exigiu a rendição da Guarda Revolucionária. Segundo a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano, pelo menos 555 pessoas foram mortas no Irã pela campanha conjunta EUA-Israel, enquanto nove israelenses e cinco pessoas em países do Golfo (Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Bahrein) faleceram devido às retaliações.
Este conflito representa o ápice de tensões que se intensificaram em junho de 2025, quando Israel lançou um amplo ataque contra o território iraniano visando enfraquecer seu programa nuclear, ocasião em que morreu Hossein Salami, então comandante da Guarda Revolucionária desde 2019.



