Conflito entre EUA, Israel e Irã escala após morte do aiatolá Ali Khamenei
Duas fortes explosões voltaram a atingir Teerã na noite de domingo, fazendo prédios tremerem a quilômetros de distância. Os episódios ocorreram no segundo dia de ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã, em uma escalada militar que tem gerado preocupação global.
Impacto imediato no mercado de energia
A expectativa é que o conflito provoque alta significativa nos preços do petróleo quando o mercado reabrir. Especialistas projetam que o barril pode saltar para entre US$ 85 e US$ 90 já nesta segunda-feira, representando um aumento expressivo em relação aos US$ 72 da sexta-feira e aos US$ 61 do início do ano.
Se a crise continuar se agravando, os efeitos podem alcançar a economia mundial de forma mais ampla, com potenciais consequências recessivas.
Declarações dos líderes envolvidos
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que o país mobiliza "toda a força de seu Exército" na ação conjunta com os Estados Unidos para garantir "existência e futuro" de Israel. Segundo ele, as forças israelenses estão atacando "o coração de Teerã com intensidade crescente", e as ofensivas devem se ampliar nos próximos dias.
Enquanto isso, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que aceitou conversar com os novos líderes iranianos, mas minimizou o impacto da alta dos combustíveis em entrevista à "Fox News". Ele afirmou que, sem os ataques, o Irã teria uma arma nuclear "em menos de duas semanas".
Contexto da escalada
A escalada ocorre após a confirmação da morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de outras figuras centrais do governo iraniano. Mesmo com essas perdas, Estados Unidos e Israel indicam que não pretendem reduzir a pressão militar, enquanto o Irã responde em diferentes pontos do Oriente Médio.
No mesmo dia dos ataques a Teerã, ofensivas iranianas mataram ao menos três soldados americanos e nove civis israelenses, demonstrando a natureza bilateral e perigosa do conflito.
Riscos para o tráfego marítimo e economia global
O agravamento do conflito coloca em risco direto o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo. Embora a passagem não esteja oficialmente fechada:
- O custo dos seguros subiu consideravelmente
- Grandes empresas de navegação suspenderam viagens pela rota
- A redução no fornecimento pode variar entre 8 milhões e 10 milhões de barris por dia
De acordo com a Rystad Energy, mesmo com caminhos alternativos, essa diminuição na oferta terá impacto significativo no mercado internacional de petróleo.
Consequências econômicas ampliadas
Analistas avaliam que o aumento do petróleo pode trazer desgaste político ao presidente Trump, que prometeu combustíveis mais baratos antes das eleições legislativas. Michelle Brouhard, da Kpler, afirma que o Irã pode tentar manter os preços elevados justamente para pressionar Washington.
Outros impactos econômicos incluem:
- O preço do gás natural também tende a subir, já que o Catar, um dos principais exportadores, pode ser afetado pela crise
- Empresas do setor de defesa podem se beneficiar nas bolsas de valores
- Áreas como transporte, turismo e logística tendem a registrar perdas significativas
Para Eric Dor, professor da IESEG School of Management, um período prolongado de preços elevados pode gerar "efeito recessivo", com impacto sobre múltiplos setores da economia global.
A última vez que o petróleo superou US$ 100 foi no início da guerra na Ucrânia, quando o gás também aumentou e contribuiu para a alta da inflação global, um precedente preocupante para a atual situação.
