Brasileiros no Oriente Médio enfrentam dias de terror durante conflito internacional
Desde o início dos ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, brasileiros residentes em Dubai, Teerã e outras cidades do Oriente Médio vivem momentos de intenso medo e incerteza. A situação provocou retaliações iranianas, fechamento de aeroportos na região e uma atmosfera de caos generalizado, com explosões constantes, sirenes de alerta, cancelamentos massivos de voos e comunicações instáveis.
Relatos de desespero e correria por abrigo
Em meio ao conflito, muitos brasileiros relatam correria desesperada para buscar abrigo e a angustiante incerteza sobre quando conseguirão retornar ao Brasil. A empresária Nayara Araújo, moradora de Goiânia que está em Dubai a trabalho, descreveu momentos de paralisia durante os primeiros ataques. "Naquele momento de desespero de madrugada, quando a gente começou a ouvir as primeiras explosões, minhas pernas paralisaram, eu tentava mandar mensagem para o meu irmão falando: 'Cuida do meu filho'. Só conseguia pensar nele", relatou em publicação nas redes sociais.
Já o tricampeão mundial de jiu-jítsu William Salvino estava na capital iraniana Teerã para treinar a seleção local quando as primeiras explosões começaram. "Quando ouvi o primeiro bombardeio, chegou até a estremecer o prédio que eu estava, de tão forte que foi. Levantei meio atordoado, sem saber onde estava ainda. Muitas pessoas correndo com a mão na cabeça", contou em mensagem enviada à noiva logo após o ataque.
Cancelamentos e desinformação agravam situação
O médico e diretor-presidente da Fundação Municipal de Esportes de Campo Grande, Sandro Benites, teve seu voo de retorno ao Brasil cancelado e permanece em Dubai, onde estava de férias desde 19 de fevereiro. "Ouviu-se alguns estrondos, todo mundo ouviu na cidade. A gente não sabe se foi interceptação de míssil. Tem muita notícia, muita fake news, muita inteligência artificial circulando. Vários passeios turísticos foram cancelados", afirmou.
Um gaúcho que mora com a esposa e dois filhos em Dubai há dez anos, Fabricio Leite, recebeu dois alertas de emergência no celular em um intervalo de apenas sete minutos. Os comunicados das autoridades locais citavam "ameaça potencial de míssil" e pediam para que se buscasse "abrigo imediato na construção segura mais próxima". A família, que reside em uma residência de três andares, passou horas no térreo próximo ao banheiro, que serve como seu abrigo designado.
Grupos de brasileiros presos na região
Um grupo de 22 moradores do Espírito Santo está retido em um navio em um porto de Dubai, nos Emirados Árabes, sem previsão de retorno ao Brasil. Os brasileiros estavam na parte interna do navio prestes a jantar quando receberam a notícia dos bombardeios. "Era a hora do jantar, em torno de 20h. Alguns mísseis já tinham caído aqui e drones", relataram.
Nayllane Aquino, baiana de 29 anos que viajou pela primeira vez aos Emirados Árabes, descreveu sua experiência com o conflito: "Nesse momento, eu sinto muito medo de estar aqui, no meio de tudo isso que está acontecendo. Como nunca passei por uma situação dessa, a ansiedade ataca também bastante, estou muito ansiosa e infelizmente não consigo fazer nada".
Guerra EUA e Israel x Irã deixa centenas de mortos
Estados Unidos e Israel lançaram um grande ataque contra o Irã na manhã de sábado, 28 de fevereiro, deflagrando uma guerra aberta entre os três países. Explosões foram registradas na capital Teerã e em diversas outras cidades iranianas, resultando na morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e outros membros de alto escalão da cúpula militar e de governo.
De acordo com atualização do Crescente Vermelho do Irã nesta segunda-feira, 2 de março, 555 pessoas foram mortas desde o início dos ataques ao país. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra território israelense e bases militares norte-americanas no Oriente Médio, iniciando uma troca de ataques que continua desde então com bombardeios diários.
Os Estados Unidos informaram no domingo que três militares do país foram mortos desde o início da guerra, com o presidente Donald Trump prometendo vingança. "Infelizmente, haverá mais [mortes] antes que [a guerra] acabe. Mas os Estados Unidos vão vingar seus mortos e desferir o golpe mais devastador aos terroristas que travam uma guerra, basicamente, contra a civilização", afirmou o mandatário norte-americano.
