Paraense em Israel relata tensão e rotina em bunkers durante conflito regional
O sistema de defesa antimísseis de Israel entra em ação para interceptar projéteis, enquanto o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã altera drasticamente a vida de brasileiros na região. Jacob Serruya, jornalista paraense de 62 anos residente em Nahariya, no norte de Israel, descreve um país paralisado, funcionando apenas com serviços essenciais desde o início dos ataques no último sábado (28).
Alerta máximo e restrições gerais
Jacob, que mora com a família a quatro quilômetros da fronteira com o Líbano desde 2019, afirma que a situação é extremamente preocupante. "Nós estamos nessa tensão. Tu não consegue dormir direito nem descansar", relata. Estabelecimentos comerciais estão fechados, a população não está trabalhando e há restrições severas de mobilidade: "Ninguém pode viajar, não tem trem, não tem ônibus. O país está parado".
Diferente de conflitos anteriores, o clima atual é muito mais sério, com Jacob temendo que "está virando uma guerra regional e a gente não sabe o que vai acontecer". O governo israelense emite relatórios constantes para orientar a população sobre serviços restritos e liberados, mas os mísseis iranianos, descritos como extremamente grandes e com carga explosiva enorme, mantêm todos em estado de alerta permanente.
Alarmes assustadores e refúgio em bunkers
O alarme de emergência toca incessantemente, com um barulho que Jacob classifica como "assustador". "Todo mundo toma um susto com aquela mensagem. Porque, independente se o telefone está no silencioso ou não, vai tocar alto daquele jeito", explica. Com o Hezbollah, grupo extremista aliado do Irã, confirmando ataques com drones e foguetes contra o norte de Israel, os alertas se intensificaram.
A família de Jacob – composta por ele, sua esposa Cássia Serruya e o filho Iago – mora em um prédio de três andares sem elevador. Durante os ataques, eles descem as escadas até um bunker, um local seguro no subsolo. "Ele fica no subsolo, lá embaixo. Alguns estão a 30 metros de profundidade. Esse que eu vou fica a dois lances de escada e é bem protegido", detalha. O espaço possui apenas alguns colchonetes, e a família permanece lá por pelo menos 10 minutos, até receberem uma mensagem no celular indicando que podem sair em segurança.
Esperança em meio à adversidade
Jacob expressa a esperança de que o conflito termine logo, reconhecendo a dificuldade da situação. Se a guerra persistir, a família planeja ficar perto de abrigos em áreas protegidas. Ele destaca a união do povo israelense: "O povo aqui é muito unido. Quando chega a guerra, um ajuda o outro, o que puder. As pessoas obedecem as recomendações do governo e do Exército".
Apesar de já ter vivido guerras com o Hamas e o Hezbollah em 2023 e 2024, Jacob mantém um tom resiliente: "Vamos levando, vamos esperar dias melhores". O contexto do conflito envolve um grande ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã, que resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei e outros líderes, seguido por retaliações com mísseis iranianos. A troca de ataques continua diariamente, com o presidente dos EUA, Donald Trump, prometendo vingar as baixas militares americanas.
