Estratégia de Paes: escolha de vice amplia alianças com clã da Baixada e evangélicos
Paes amplia alianças com clã da Baixada e evangélicos na vice

Estratégia política de Eduardo Paes ganha novo capítulo com anúncio de vice

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), deu um passo significativo em sua estratégia eleitoral ao anunciar nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, a advogada Jane Reis (MDB) como sua pré-candidata a vice-governadora. A escolha representa uma movimentação calculada para ampliar seu arco de alianças no estado, especialmente na região da Baixada Fluminense.

Conectando mundos políticos distintos

Jane Reis é irmã de Washington Reis, cacique político em Duque de Caxias, município que possui o segundo maior colégio eleitoral do estado do Rio de Janeiro. O anúncio foi feito durante evento na sede estadual do MDB, onde Washington Reis foi reconduzido à presidência da legenda no estado.

O que chama atenção nesta movimentação é o histórico de proximidade do clã Reis com a família Bolsonaro, enquanto Eduardo Paes mantém firme aliança com o presidente Lula (PT). Em seu discurso, Paes enfatizou que "política é a arte de juntar gente", mesmo quando há diferenças nas escolhas nacionais e locais.

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O prefeito revelou que já havia informado o presidente Lula sobre sua decisão no domingo anterior, durante a passagem do petista pela Sapucaí. Segundo Paes, "o presidente Lula apoiou integralmente essa aliança", demonstrando a complexidade das articulações políticas em curso.

Busca por capilaridade na Baixada Fluminense

Desde sua reeleição para a prefeitura do Rio, Eduardo Paes tem realizado movimentos estratégicos na direção dos prefeitos dos maiores colégios eleitorais do estado. As indefinições e rachas dentro do PL do governador Cláudio Castro acabaram facilitando essa busca por maior capilaridade política.

O PSD sempre considerou que a vaga de vice deveria ser ocupada por alguém da Baixada Fluminense. Inicialmente, Rogério Lisboa (PP), ex-prefeito de Nova Iguaçu, aparecia como o nome mais próximo de Paes. Contudo, diante das confusões no campo da centro-direita, Lisboa deve se tornar um forte aliado na Baixada, mesmo fora de qualquer coligação formal.

Aproximação com o eleitorado evangélico

A aproximação de Paes com a família Reis ocorreu após rompimentos no grupo do governador Cláudio Castro. A primeira cisão significativa aconteceu quando Rodrigo Bacellar (União Brasil) exonerou Washington Reis da Secretaria de Transportes em julho do ano passado, durante ausência internacional do governador.

Desde então, Reis e Paes passaram a aparecer juntos publicamente com frequência. Um aliado próximo do prefeito chegou a afirmar que "Reis é o vice dos sonhos de Paes". Com Washington Reis inelegível devido a condenação por crime ambiental, a família embarcou definitivamente na pré-campanha do político do PSD.

Um ponto crucial desta aliança é a forte conexão da família Reis com o mundo evangélico. Jane Reis é casada com o pastor Rafael Corato, da Assembleia de Deus. Em seu discurso de aceitação, ela declarou: "Começo agradecendo a Deus, porque é uma grande missão. Deus está no comando. Eu, como evangélica, coloco Deus sempre em primeiro lugar".

Composição de uma frente ampla

Eduardo Paes busca evitar ser rotulado como candidato exclusivamente de esquerda, apesar de suas alianças com Lula, PT e partidos como PSB, PDT, PC do B e PV. Sua candidatura, originalmente vista como de centro-esquerda, agora se abre na direção do que o prefeito chama de "frente ampla".

A escolha de uma mulher para a chapa também foi um fator considerado, conforme anunciado na presença de figuras importantes da política nacional, incluindo o presidente do MDB, deputado Baleia Rossi, e o ministro das Cidades, Jader Filho.

Outros nomes que Paes mira desde o ano passado são os prefeitos de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), e de Campos, Wladimir Garotinho (PP). A estratégia é particularmente complexa, considerando que Nelson é pai de Douglas Ruas, secretário de Castro e cotado para disputar a eleição pelo PL, enquanto Wladimir é filho do ex-governador Anthony Garotinho, ferrenho opositor de Paes.

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A movimentação política demonstra como as eleições para o governo do Rio de Janeiro em 2026 prometem ser marcadas por alianças surpreendentes e estratégias complexas de construção de palanques amplos e diversificados.