Ex-secretário da Casa Civil do Ceará anuncia filiação ao PDT após deixar cargo
O ex-secretário da Casa Civil do Ceará, Chagas Vieira, anunciou nesta quinta-feira, 2 de abril, sua filiação ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), apenas um dia após deixar o cargo no governo do estado comandado por Elmano de Freitas, do Partido dos Trabalhadores (PT). Com essa movimentação política, ele se torna apto a se candidatar nas eleições municipais, estaduais e federais que ocorrerão em 2026.
Declaração pública e alinhamento político
Em publicação feita em suas redes sociais, Chagas Vieira expressou seu compromisso com a nova legenda. "Acabo de ingressar no Partido Democrático Trabalhista (PDD), uma legenda histórica, de defesa intransigente da democracia e de luta permanente por mais justiça social", afirmou o ex-secretário. Ele ainda reforçou seu alinhamento com figuras políticas importantes: "Sigo firme no projeto que tem Lula, Elmano, Camilo, Cid, Izolda, Evandro e tantos que lutam por um Ceará de mais oportunidades para todos e todas".
A imagem da publicação mostrava Chagas ao lado de André Figueiredo, presidente estadual do PDT no Ceará, simbolizando a nova parceria política.
Contexto da saída e possíveis candidaturas
Chagas Vieira ocupava a secretaria da Casa Civil, considerada uma das pastas mais importantes do governo estadual, desde dezembro de 2024. Embora ainda não tenha anunciado oficialmente sua candidatura para qualquer cargo nas eleições de 2026, especulações políticas indicam que ele pode concorrer a deputado federal ou mesmo ao Senado Federal.
Sua saída do governo segue a regra de desincompatibilização eleitoral, que determina que ocupantes de cargos na administração pública que desejam concorrer a mandatos eletivos devem deixar seus postos até 4 de abril. Até o momento, 14 secretários ou superintendentes já deixaram o governo Elmano de Freitas, incluindo Chagas Vieira.
Movimentação partidária no Ceará
A filiação de Chagas Vieira ao PDT ocorre em um momento particularmente delicado para o partido no estado. O PDT vem enfrentando um processo de esvaziamento durante a janela partidária, período em que parlamentares podem trocar de legenda livremente. Atualmente, o partido conta com apenas um deputado federal representando o Ceará: André Figueiredo.
Na Assembleia Legislativa, a situação era ainda mais crítica, pois o PDT havia perdido todos os seus deputados estaduais. Entretanto, na tarde desta quinta-feira, o partido anunciou a filiação da deputada Juliana Lucena, que deixou o PT para se juntar ao PDT, representando uma pequena recuperação na bancada estadual.
Outras saídas do governo estadual
A lista de secretários que deixaram o governo Elmano de Freitas inclui nomes importantes:
- Jade Romero (Secretária de Proteção Social) - também vice-governadora do Ceará
- Eliana Estrela (Secretária da Educação)
- Adelita Monteiro (Secretária da Juventude)
- Moisés Braz (Secretário de Desenvolvimento Agrário) - deputado estadual
- Zezinho Albuquerque (Secretário das Cidades) - deputado estadual
- Mitchelle Meira (Secretária da Diversidade)
- Fernando Santana (Secretário dos Recursos Hídricos) - deputado estadual
- Luísa Cela (Secretária da Cultura)
- Waldemir Catanho (Superintendente do Detran)
- Eduardo Bismarck (Secretário do Turismo) - deputado federal
- Domingos Filho (Secretário do Desenvolvimento Econômico)
- Lia Gomes (Secretária das Mulheres) - deputada estadual
- Erich Douglas (Secretário da Proteção Animal) - vereador de Fortaleza
Embora nenhum desses ex-secretários tenha anunciado oficialmente planos de candidatura, a movimentação em massa sugere que muitos podem estar se preparando para disputar eleições ou dedicar-se às campanhas eleitorais de seus partidos.
Cenário político em transformação
A janela partidária, que se encerra em 4 de abril, tem trazido surpresas significativas para o cenário político cearense. Uma das mais notáveis foi a saída da deputada federal Luizianne Lins do PT após 37 anos de filiação, partido ao qual ela se juntou à Rede Sustentabilidade.
As eleições de 2026 prometem ser decisivas para o estado, com os eleitores escolhendo deputados estaduais e federais, dois senadores, governador e presidente da República. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, com possível segundo turno em 25 de outubro do mesmo ano.
O movimento de Chagas Vieira representa mais uma peça neste complexo tabuleiro político que se forma no Ceará, com alianças sendo refeitas e estratégias eleitorais sendo traçadas com quase dois anos e meio de antecedência das próximas eleições.



