O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira (4) que o Banco de Brasília (BRB) é um problema do governo do Distrito Federal (GDF), e não do Governo Federal. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Durigan destacou que a União não deve intervir a menos que haja risco sistêmico.
Declarações sobre o BRB
Durigan explicou que o BRB enfrenta problemas de liquidez e capital devido a ativos adquiridos do Banco Master. "Não estou dizendo que a União em algum momento não pode entrar, mas é um problema do GDF, a gente não pode esquecer disso", disse. Ele ressaltou que, se não houver risco sistêmico, existem mecanismos para lidar com a situação sem intervenção especial ou ajuda do Tesouro. "A única hipótese em que eu cogitaria olhar para o BRB é em risco sistêmico, caso o Banco Central analise dessa forma", completou.
O ministro também sugeriu que o Fundo Constitucional do DF, composto por recursos da União, pode ser utilizado para cobrir o rombo. Recentemente, o governo distrital solicitou o aval do Tesouro Nacional como garantia para um empréstimo de socorro ao BRB.
Situação dos Correios
Durigan também comentou sobre os Correios, admitindo que a estatal enfrenta dificuldades financeiras. Ele mencionou que, em 2025, os Correios tiveram um resultado negativo de R$ 4 bilhões, com previsão de piora para 2026, podendo chegar a R$ 10 bilhões. No entanto, ele destacou o plano de reestruturação apresentado pelo novo presidente, Emmanoel Rondon, que inclui corte de gastos, aumento de receita e parcerias nacionais e internacionais.
O ministro defendeu a importância dos Correios para a universalização dos serviços, especialmente em áreas remotas como a região ribeirinha do Amazonas, onde operadores privados não atuam. "Eles dizem que são mais eficientes, mas não entregam notificação judicial para a população ribeirinha. Os Correios entregam", afirmou.
Questionado sobre a privatização, Durigan disse não ser contra, mas alertou que não é uma solução simples. "O presidente Lula acabou privatizando mais do que o governo anterior, ou fazendo concessão. Não acho que seja bala de prata", concluiu. Ele também defendeu a flexibilização da cadeia logística dos Correios, incluindo possíveis joint ventures para armazenamento e entrega de medicamentos e notificações judiciais.



