Fé Nelas reúne multidão feminina em Belo Horizonte para fortalecer empreendedorismo
O auditório do Sesc Palladium, em Belo Horizonte, foi palco de um evento inspirador no dia 7 de abril, reunindo mais de mil e duzentas mulheres para a segunda edição do Fé Nelas. A iniciativa da Fecomércio MG consolidou-se como referência para quem busca empreender, aprimorar negócios e fortalecer conexões no universo empresarial feminino. O espaço vibrante contou com estandes de diversas empreendedoras no hall de entrada, apresentando produtos e serviços, enquanto a plateia aguardava com entusiasmo o início das palestras.
Empreendedorismo na prática: coragem, persistência e rede de apoio
A abertura descontraída teve a presença do presidente do Sistema Fecomércio MG, Nadim Donato, e da secretária da presidência e mentora do projeto, Danielle Rocha Stancioli. O primeiro painel foi conduzido pela empreendedora e presidente do W20 (G20), Ana Fontes, que apresentou uma palestra leve e provocativa. "Persistência, coragem e entender que não existe tempo certo para fazer as coisas acontecerem", afirmou ela, reforçando a importância de testar ideias antes de investir e separar finanças pessoais das empresariais.
Ana destacou que "negócio sem cliente é só hobby" e enfatizou a necessidade de ação estruturada e rede de apoio: "Nenhuma mulher chegou sozinha aonde chegou. Em comunidade, a gente se sente mais forte". Ela também abordou desafios silenciosos do empreendedorismo feminino, como a culpa e o medo constante, lembrando que coragem não é ausência de medo, mas a decisão de que o sonho vale mais.
Vulnerabilidade, segurança e transformação social em debate
O painel "Insegurança Feminina da Sociedade: quando a mulher se reescreve", mediado por Luana Campos, reuniu a delegada-geral da Polícia Civil de Minas Gerais, Letícia Gamboge; a médica e major da Polícia Militar, Dra. Soraia Joislane; e Jutthay Nogueira, diretora do Projeto Romper, do Morro das Pedras. Letícia destacou o papel crucial da união feminina: "Uma rede de mulheres ajudando mulheres é fundamental para romper barreiras e uma cultura machista".
Jutthay reforçou o impacto social do empreendedorismo em territórios vulneráveis: "Elas não querem só sobreviver. Querem realizar sonhos. Empreender na favela é sobrevivência, mas também é transformação". Soraia trouxe uma reflexão interna, alertando que nossos pensamentos influenciam decisões, mas muitas vezes estão presos a experiências passadas.
Networking, estratégia e histórias reais de sucesso
O evento seguiu com o painel "O Poder do Network e Histórias de Sucesso", apresentando trajetórias reais e decisões estratégicas. A mentora Karina Forlenza foi direta: "Empreender é olhar para o outro. Não romantize. Estude a viabilidade e tenha coragem para persistir, mesmo sem recursos". Fundadoras da Fastescova, Márcia Queirós e Michelle Wadhy, compartilharam a construção de uma rede que hoje soma centenas de unidades no país.
Michelle destacou os desafios da sociedade empresarial e relembrou seu ponto de virada após um diagnóstico de câncer no estômago: "Sem perspectiva, encontrei em Deus força para seguir. Persistir no que você acredita faz as coisas acontecerem".
Estratégia digital, adaptação e comunicação como liderança
Durante a palestra "Potencialize com a Meta", a estrategista de marketing digital Viviane Sabino mostrou como alcançar mais clientes pelas redes sociais. "Devo perguntar qual é o meu objetivo de negócio e com quem eu quero falar com as postagens", analisou, sugerindo a utilização do mesmo material em diferentes formatos para gerar um sistema de ideias.
A psicóloga e influenciadora Pequena Lô (Lorrane Silva) emocionou a todos com sua palestra "Adaptabilidade como estratégia de sucesso". Parou de andar aos 11 anos e transformou desafios em exemplo de superação, hoje com mais de 10 milhões de seguidores. "Você não precisa estar pronta para a mudança, basta estar disposta a aprender com ela", afirmou.
O trabalho invisível e o protagonismo feminino
A professora da PUC Minas, Sabrina Mendes, abordou "Quando o essencial não é visto: o trabalho invisível da mulher", fazendo um recorte histórico e político. Ela lembrou que a empregabilidade das mulheres sempre esteve ameaçada em crises, como em 2020, quando os empregos para elas atingiram o menor nível em 30 anos. "O empreendedorismo dá um pouco o controle dessa rédea", disse, insistindo na necessidade de derrubar estereótipos.
Na palestra "Mulheres em Ação: liderança que transforma, diversidade que inspira", a escritora e comunicadora Michelle Silva apontou: "é preciso nós liderarmos a nós mesmas antes de liderar outros". Segundo ela, as mulheres que se desenvolvem como empreendedoras são as que aprenderam a se comunicar, não necessariamente as mais qualificadas. "É no desconforto que a gente cresce", observou.
Histórias inspiradoras e encerramento musical
A colaboradora do Sesc, Nancy Pereira Amorim, 54 anos de Sistema Comércio e 82 de idade, emocionou o público com sua palestra "Pratas que brilham, o recomeço profissional das mulheres 50+". "Nunca pensei que fosse ficar 54 anos no Sesc", contou, reconhecendo o trabalho de integração das três casas: Fecomércio MG, Sesc e Senac, realizado pelo presidente Nadim Donato.
O evento foi encerrado com o show de Vanessa da Mata, que apresentou o espetáculo Todas Elas para um público que lotou o grande teatro do Sesc Palladium.
Sobre a Fecomércio MG
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG) é a principal entidade representativa do setor no estado, abrangendo mais de 750 mil empresas e 54 sindicatos. Sob a presidência de Nadim Elias Donato Filho, atua como porta-voz das demandas do empresariado, buscando soluções através do diálogo com governo e sociedade. Administra o Sesc e o Senac em Minas Gerais, fortalecendo a promoção de serviços que beneficiam comerciários, empresários e a comunidade. Com 87 anos de atuação, é fundamental para transformar a vida dos cidadãos e impulsionar a economia mineira.



