Mulheres representam apenas 22,3% da força de trabalho na indústria do Rio de Janeiro
Mulheres são só 22% da força de trabalho na indústria do RJ

Mulheres são minoria na indústria fluminense, aponta levantamento da Firjan

Um estudo recente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) revelou dados alarmantes sobre a participação feminina no setor industrial do estado. De acordo com o levantamento, as mulheres representam apenas 22,3% da força de trabalho na indústria fluminense, evidenciando uma significativa desigualdade de gênero neste importante segmento econômico.

Presença reduzida em cargos operacionais e de liderança

Os números mostram que cerca de 188 mil mulheres estavam empregadas na indústria do Rio de Janeiro no último ano. No entanto, a distribuição por funções revela disparidades ainda mais marcantes. Nas posições operacionais, a presença feminina cai para apenas 14,3%, enquanto nos cargos de chefia, como diretorias e gerências, elas representam 29,5%.

Essa realidade é vivenciada diariamente por trabalhadoras como Antônia Evani Rocha, de 39 anos, operadora de máquinas em uma fábrica do setor de energia na Região Metropolitana. "No início foi difícil porque majoritariamente a empresa é de homem. Você tem aquele receio: 'será que eu vou ser aceita, vão achar que eu sou capaz'. E eu sempre gostei de operar, eu sempre gostei do desafio", relatou.

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Barreiras estruturais e necessidade de capacitação

A pesquisa da Firjan identificou diversos obstáculos que dificultam a maior inserção feminina na indústria:

  • Cultura organizacional das empresas ainda predominantemente masculina
  • Falta de atividade feminina em determinados setores industriais
  • Casos de preconceito e discriminação
  • Ausência de uniformes e equipamentos de proteção adaptados ao corpo feminino

Sandra Santos Nascimento, de 49 anos, que retornou ao setor após perder o emprego na indústria naval, destacou a importância da capacitação: "Eu tive que entrar no contexto da fabricação, desse tipo de fabricação que fazemos aqui hoje porque é um pouco diferente da área naval. Eu posso fazer valer tudo aquilo que eu aprendi, então eu fiz um curso específico pra estar trabalhando aqui".

Necessidade de desconstruir corporativismo masculino

Carla Pinheiro, presidente do Conselho de Mulheres da Firjan, argumenta que é fundamental avançar na inclusão e valorização da liderança feminina. "A gente entende que ainda existe um corporativismo masculino que precisa ser desconstruído, que a gente entende, como eu gosto de dizer, que é pela falta de entendimento da característica dessa liderança feminina, que é bem diferente da masculina".

"São complementares e trazem resultados muito positivos para as empresas que adotam esse olhar mais diverso na sua composição, principalmente nas posições de liderança", completou Carla.

Avanços e perspectivas para o futuro

Apesar dos desafios, o estudo também aponta progressos significativos. Sete em cada dez empresas industriais afirmam adotar ações para promover a equidade de gênero. Entre as principais iniciativas estão:

  1. Flexibilização da jornada de trabalho, como horários alternativos e home office (51%)
  2. Políticas de diversidade no recrutamento (47%)

As trabalhadoras mantêm otimismo quanto ao futuro. "Qualquer um é capaz. Você não tem que ficar focada nos obstáculos. Obstáculo vai ter sempre, muitos obstáculos, muita pedra no caminho. Colher cada pedra e construir o nosso castelo", refletiu uma das entrevistadas.

"Nós mulheres podemos fazer o que eles fazem. Tudo com técnica é possível executar tão bem como eles fazem", concluiu, demonstrando a determinação que caracteriza muitas profissionais que buscam seu espaço em um ambiente tradicionalmente masculino.

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