Grupo do RS aposta R$ 500 mil na Mega da Virada e acerta quina e quadras
Bolão de R$ 300 mil no RS quase leva prêmio bilionário

Um grupo de apostadores de Passo Fundo, na Região Norte do Rio Grande do Sul, viveu uma montanha-russa de emoções durante o sorteio da Mega da Virada de 2024, que distribuiu o maior prêmio da história: mais de R$ 1 bilhão. Eles investiram a impressionante quantia de mais de R$ 500 mil em bolões, mas acabaram batendo na trave do prêmio máximo.

Quase lá: a trajetória do bolão "Vai que dá"

Apesar de não terem conquistado a sonhada sena, o grupo, organizado pela advogada Patrícia Alosivi, obteve retorno considerável. Em um dos jogos, o bolão principal, batizado de "Vai que dá", acertou a quina (cinco números). Além disso, em outras apostas, o grupo fez nove quadras (quatro números).

"No primeiro ano, não ganhamos nada. No segundo, fizemos uma quadra. Agora, no terceiro, uma quina e várias quadras. Em 2027, vem a Sena!", comemorou Patrícia, em declaração ao portal GZH. O investimento total do grupo na edição de 2024 foi de R$ 204 mil, e os prêmios somaram R$ 30,4 mil. Até a última quinta-feira (1º), os valores exatos de cada cota ainda estavam sendo calculados.

Como funcionou a mega aposta gaúcha

A operação foi estruturada em três bolões distintos, totalizando 4 mil cotas vendidas. Os valores das cotas variaram bastante, indo de R$ 18 até R$ 3,6 mil. A aposta principal girou em torno de R$ 300 mil. A quina premiada, no entanto, saiu em um segundo bolão, de R$ 100 mil, formado depois que o principal esgotou. As nove quadras foram acertadas no bolão principal e em um terceiro grupo de apostas.

O fenômeno do prêmio recorde atraiu tanto apostadores veteranos quanto iniciantes. A jornalista Daniele Brito, de Porto Alegre, entrou em um bolão com colegas pela primeira vez, movida pelo medo de ficar de fora. "Eu nem costumo apostar, mas pensei: vai que os colegas ganham e eu sou a única que fica de fora", brincou.

A matemática por trás da sorte: especialista explica

Para o professor Fernando Sabino, de Estatística e Economia da UFRGS, a estratégia do bolão é a mais racional para quem quer jogar. "O bolão é uma forma inteligente de participar, porque aumenta a chance de acerto, e o valor pago é menor", afirma. A probabilidade de acertar a sena em um jogo simples é de uma em 50 milhões. A única forma real de melhorar essas chances é aumentar o número de combinações jogadas, exatamente o que os bolões fazem.

No entanto, o professor faz um alerta crucial: a Mega Sena é um jogo totalmente aleatório. Datas de aniversário, sequências ou números da sorte não influenciam. "Todas as combinações têm exatamente a mesma chance", diz Sabino. Ele reforça: "As chances aumentam, mas continuam pequenas. A loteria não é investimento, é entretenimento. As pessoas precisam jogar o que cabe no bolso".

Alguns grupos adotaram estratégias ainda mais ousadas para tentar vencer as estatísticas. Um bolão formado por vizinhos, por exemplo, optou por jogar com 12 números. Essa modalidade eleva o custo da aposta para cerca de R$ 5,5 mil, mas, dividida entre os participantes, torna-se viável e aumenta a probabilidade de acerto para aproximadamente uma em 54 mil.

O gerente comercial Alex Pereira, que participou de um bolão desse tipo, destacou a vantagem: "Para um apostador só, é inviável. Dividindo entre 30 pessoas, como no nosso caso, aumenta a chance e torna possível jogar". O custo das apostas cresce exponencialmente: enquanto a aposta simples de seis números custa R$ 6, uma com 20 números pode chegar à casa dos R$ 232 mil.