Mulher trans denuncia transfobia em banheiro durante carnaval da prefeitura em Rio Preto
Transfobia em carnaval: mulher trans barrada em banheiro feminino

Mulher trans sofre transfobia em carnaval organizado pela prefeitura de Rio Preto

Uma foliã de 38 anos, identificada como Renata Quintino Zequini, denunciou publicamente ter sido vítima de transfobia durante o carnaval promovido pela Prefeitura de São José do Rio Preto, no interior paulista. O incidente ocorreu na noite de sexta-feira, 13 de fevereiro, no Recinto de Exposições "Alberto Bertelli Lucatto", local que sediou o evento CarnaVirou, com investimento municipal de R$ 6 milhões.

Constrangimento na entrada e no acesso aos sanitários

Segundo o relato detalhado de Renata ao g1, os problemas começaram logo na entrada do evento. Ao se dirigir à fila destinada à revista feminina, ela foi orientada por uma segurança a se deslocar para a fila dos homens. Após insistir por duas vezes, a funcionária acabou permitindo que ela permanecesse na fileira reservada às mulheres.

Dentro do espaço festivo, a situação se repetiu de forma ainda mais grave quando Renata tentou utilizar o banheiro feminino. Em um primeiro momento, conseguiu acessar o local sem maiores complicações. No entanto, ao tentar fazê-lo novamente, foi abordada por um segurança que exigiu a apresentação de documento com nome feminino para liberar sua entrada.

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"Ela disse que eu só poderia usar o banheiro se mostrasse um documento. Respondi que mostraria, mas não entendia o motivo, já que eu era uma mulher. Mesmo mostrando o documento, ela disse que eu não poderia usar. Me revoltei e afirmei que iria usar sim, entrei na cabine", declarou Renata, que possui documento de identidade com seu nome de batismo.

Deboche e medo durante o episódio

Enquanto estava dentro do banheiro, Renata ouviu pessoas – possivelmente seguranças – debochando da situação, com comentários como: "Onde está a Xuxa? Ela já saiu da cabine? Tira ela da cabine". Temendo por sua integridade física, a mulher iniciou uma transmissão ao vivo nas redes sociais, registrando parte da discussão.

Nas imagens, é possível ver e ouvir o segurança argumentando que havia recebido orientação de que pessoas trans só poderiam usar o banheiro correspondente ao gênero indicado em seus documentos oficiais. Ele teria acrescentado que a ordem teria partido de agentes da Guarda Civil Municipal e de policiais militares.

"Eu vou usar o banheiro feminino. Se eu usar o masculino, posso ser assediada. A lei garante meu direito, porque eu sou mulher trans", reforçou Renata durante a discussão, reivindicando seus direitos garantidos por lei.

Posicionamento das autoridades envolvidas

O g1 questionou os órgãos mencionados na denúncia. Em nota oficial, a Guarda Civil Municipal informou que não houve qualquer orientação da corporação para impedir o acesso de mulheres trans ao banheiro feminino durante o CarnaVirou. A Polícia Militar, por sua vez, não havia se manifestado até o fechamento desta reportagem.

Já a Prefeitura de São José do Rio Preto declarou que, ao tomar conhecimento do caso, determinou imediata apuração dos fatos e reforço das orientações e procedimentos de conduta junto às equipes envolvidas. A administração municipal reafirmou que todas as ações institucionais devem ser pautadas no respeito à diversidade e à dignidade das pessoas.

Em comunicado, a prefeitura destacou: "O CarnaVirou 2026 é espaço de respeito, pluralidade, inclusão, segurança e celebração coletiva. Não serão toleradas atitudes que contrarie esses princípios ou quaisquer outras formas de preconceito de origem, raça, etnia, gênero, cor e idade em consonância com as garantias constitucionais".

Solidariedade e determinação da vítima

Renata afirmou que situações discriminatórias como essa infelizmente ainda são comuns, mas garantiu que não irá se calar diante do preconceito. Apesar do constrangimento sofrido, disse sentir-se acolhida pela comunidade LGBTQIA+ que a apoiou após o episódio.

"Estou feliz em ter sido abraçada pela comunidade LGBT. Porém, o constrangimento foi inevitável", finalizou a foliã, que recebeu manifestações de apoio e indignação nas redes sociais após divulgar seu relato.

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O carnaval de São José do Rio Preto, que começou na sexta-feira e terminou nesta terça-feira (17), contou com apresentações de artistas renomados como Ana Castela, Simone Mendes, Mari Fernandez, Maiara e Maraisa, além do grupo Bonde do Tigrão. A pista principal teve entrada solidária, enquanto os camarotes e espaços exclusivos foram administrados por empresa terceirizada.