Professor demitido após associar imagem de chimpanzé a aluno negro em Maceió
Professor demitido por associar chimpanzé a aluno negro em Maceió

Professor é demitido após associar imagem de chimpanzé a aluno negro em colégio de Maceió

Um professor de matemática foi demitido de um colégio particular em Maceió após suspeita de associar a imagem de um chimpanzé a um estudante negro durante aula no bairro Benedito Bentes. O caso, que ocorreu no dia 12 de fevereiro deste ano, só ganhou repercussão após a abertura de um inquérito policial e vem causando indignação na comunidade escolar.

Detalhes do caso de injúria racial em sala de aula

De acordo com o advogado Alberto Jorge, que defende o estudante de 13 anos, o incidente aconteceu quando outro aluno levou uma foto do animal para a sala de aula e mostrou ao professor, perguntando com quem a imagem se parecia. "O professor se aproximou e apontou para a criança negra que estava na sala de aula", explicou o advogado.

O advogado descreveu que, após o gesto do professor, todos os colegas começaram a rir, iniciando um processo de bullying que deixou o adolescente profundamente abalado. "Ele ficou acuado, em silêncio. Chegou em casa calado, com o psicológico abalado, chorou muito junto ao pai, contando o que aconteceu", relatou Alberto Jorge.

Consequências para o estudante e medidas tomadas

O adolescente passou dois dias sem comparecer ao colégio e só retomou as aulas após descobrir que o professor havia sido demitido. Além da ação criminal por injúria racial, que pode resultar em pena de dois a cinco anos de prisão, a família do estudante irá ingressar com uma ação civil reparatória para indenização por danos morais e psicológicos.

O advogado destacou que a pena pode ser agravada em um terço por ter ocorrido dentro de uma sala de aula, local com grande movimentação de alunos. A defesa também pediu que um terceiro aluno, que chamou a atenção do professor para ver a imagem, seja ouvido durante as investigações.

Posicionamento da instituição de ensino

O Colégio Fantástico, por meio de nota nas redes sociais, informou que repudia todo e qualquer ato de racismo, discriminação ou preconceito. A instituição confirmou que o professor de matemática foi afastado e não integra mais o quadro de colaboradores.

Entre as medidas adotadas, o colégio destacou:

  • Demissão imediata do professor envolvido
  • Acompanhamento do caso pelo Conselho Tutelar de Maceió
  • Disponibilidade para colaborar com esclarecimentos e providências necessárias

Investigações em andamento

A Delegacia Especial dos Crimes contra Vulneráveis Tia Marcelina é responsável pela investigação do caso. O crime está sendo tratado como injúria racial, que difere do crime de racismo por ser direcionado a uma pessoa específica, enquanto o racismo atinge coletividades.

O advogado Alberto Jorge expressou perplexidade com a atitude do educador: "A gente fica sem entender o porquê da atitude do professor", afirmou, destacando a gravidade do ocorrido em um ambiente educacional.