Doleiros da Lava Jato são alvos da Operação Bazaar contra corrupção na Polícia Civil de SP
Doleiros da Lava Jato são alvos de operação contra corrupção policial

Doleiros da Lava Jato Reaparecem em Operação Contra Corrupção na Polícia Civil de São Paulo

Nesta quinta-feira, 5 de setembro, a Operação Bazaar, conduzida pelo Ministério Público Federal e Polícia Federal, trouxe de volta ao noticiário policial dois nomes emblemáticos da Operação Lava Jato: os doleiros Leonardo Meirelles e Meire Poza. Eles são investigados por suposta participação em um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro dentro da Polícia Civil do estado de São Paulo. Meire Poza foi presa, enquanto Leonardo Meirelles permanece foragido, com um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça.

Histórico na Lava Jato e Conexões com Alberto Youssef

Leonardo Meirelles e Meire Poza ganharam notoriedade durante a Lava Jato, a grande operação que desvendou um esquema de corrupção na Petrobras e BR Distribuidora. Ambos atuavam na estrutura financeira ligada ao doleiro Alberto Youssef, operador central daquele esquema criminoso. Meirelles era apontado como responsável por remessas ilegais de dinheiro e foi sócio de empresas utilizadas por Youssef para movimentar recursos investigados. Ele acabou condenado a 5 anos e 6 meses de prisão, em regime semiaberto, por crimes de lavagem de dinheiro.

Posteriormente, Meirelles firmou um acordo de delação premiada, homologado pelo Supremo Tribunal Federal. Em seu depoimento, ele relatou ter realizado mais de quatro mil operações financeiras no exterior, a pedido de Youssef, movimentando mais de US$ 140 milhões em propinas. Meire Poza, por sua vez, trabalhou como contadora para Youssef e prestou depoimentos cruciais às autoridades entre 2014 e 2015, ajudando a detalhar as movimentações financeiras do esquema.

Envolvimento na Operação Bazaar e Acusações Atuais

Na Operação Bazaar, Meirelles é apontado como integrante de um grupo que lavava dinheiro proveniente de corrupção dentro da Polícia Civil paulista. Segundo as investigações, o esquema convertia dinheiro vivo em créditos de vale-refeição para ocultar propinas. Meirelles é acusado de ajudar a mascarar o esquema e de pagar policiais civis para livrá-lo de investigações no Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania.

As acusações indicam que, desde outubro de 2022, Meirelles, por meio de advogados, também pagava propina a policiais do Departamento de Investigações Criminais para se livrar de acusações de lavagem de dinheiro. Ele era alvo da Operação Fractal, que desmontou um esquema de fraudes bancárias milionárias e ocultação de patrimônio em agosto de 2025, revelando o uso de empresas de fachada e criptomoedas para lavar dinheiro do tráfico de drogas e outras atividades criminosas.

Papel de Meire Poza e Detalhes das Interceptações

Meire Poza é acusada de pagar propina para um grupo de policiais corruptos a fim de escapar de investigações na Polícia Civil de São Paulo. Ela também teria feito a contabilidade do grupo criminoso. Em conversas interceptadas com Robson Martins de Souza, empresário e dono de uma das empresas usadas no esquem, Meire afirmou que "já está tudo acertado com os caras lá dentro", referindo-se a um procedimento no DPPC.

Na autorização de prisão preventiva, Meire Poza é descrita como alguém que conhece diversos policiais e outros indivíduos que, segundo o Ministério Público, adulteram provas e destroem elementos que poderiam servir de base para futuras denúncias. A Polícia Federal afirma que as movimentações financeiras de Robson Martins são incompatíveis com sua atividade declarada.

Contexto Mais Amplo e Impacto das Investigações

A Operação Bazaar resultou na prisão de nove pessoas, incluindo empresários, policiais, advogados e a doleira Meire Poza. Este caso evidencia a persistência de redes criminosas que sobrevivem a operações anteriores, como a Lava Jato, e se infiltram em instituições públicas. A investigação continua em andamento, com esforços para localizar Leonardo Meirelles e aprofundar as conexões entre corrupção policial e lavagem de dinheiro.

O reaparecimento dessas figuras em um novo escândalo sublinha os desafios contínuos no combate à corrupção no Brasil, destacando a necessidade de vigilância constante e ações coordenadas entre diferentes órgãos de justiça e segurança pública.