Narges Mohammadi, Nobel da Paz 2023, é condenada a mais de sete anos de prisão no Irã
O Irã condenou a ativista e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, Narges Mohammadi, a uma pena superior a sete anos de prisão. A informação foi divulgada neste domingo (8) pelo advogado de defesa dela através da rede social X, detalhando que a sentença foi proferida por um Tribunal Revolucionário na cidade de Mashhad um dia antes.
Detalhes da condenação e contexto da prisão
Segundo o advogado, Mohammadi foi condenada a seis anos de prisão por acusações de conspiração e conluio e a um ano e meio por propaganda. Além disso, ela recebeu uma proibição de viajar por dois anos. A ativista, de 54 anos, está detida desde dezembro, quando foi presa pelo regime iraniano durante uma cerimônia em homenagem a Khosrow Alikordi, um defensor dos direitos humanos de 46 anos que residia em Mashhad.
Procurado pela agência de notícias Associated Press, o governo iraniano não confirmou oficialmente a informação da condenação, mantendo um silêncio sobre o caso que tem atraído atenção internacional.
Histórico de ativismo e reconhecimento com o Nobel
Narges Mohammadi é uma das líderes proeminentes da luta contra a opressão às mulheres no Irã, o que lhe rendeu o Prêmio Nobel da Paz em 2023. Sua trajetória é marcada por múltiplas prisões pelo regime iraniano, incluindo uma libertação temporária em dezembro de 2024 por questões de saúde. Ela se tornou uma voz central na chamada revolução feminina iraniana, especialmente após a morte de uma jovem presa por uso incorreto do véu islâmico, mobilizando protestos e demandas por direitos humanos.
Greve de fome e condições de detenção
Há quatro dias, na quarta-feira (4), a fundação da ativista, sediada em Paris, afirmou ter recebido informações confiáveis de que Mohammadi iniciou uma greve de fome na segunda-feira, dia 2. O protesto visa denunciar sua detenção ilegal e as condições graves em que está sendo mantida, realidades que afetam inúmeros presos políticos atualmente no Irã. Essa ação destaca os riscos à saúde e aos direitos básicos enfrentados por dissidentes no país.
O caso de Narges Mohammadi ilustra os desafios contínuos para os defensores dos direitos humanos no Irã, onde ativistas frequentemente enfrentam repressão judicial e prisões prolongadas. Sua condenação reforça as críticas internacionais sobre as práticas do regime iraniano em relação à liberdade de expressão e à igualdade de gênero.