Identificação e sepultamento de jovem líder indígena em Roraima
A Polícia Civil de Roraima confirmou nesta segunda-feira (16) que o corpo do jovem líder indígena Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, foi oficialmente identificado no Instituto Médico Legal (IML) de Boa Vista e liberado para sepultamento. A identificação ocorreu no último sábado (14), por meio de exame de odontologia legal, utilizando a arcada dentária, já que o corpo estava em avançado estado de decomposição, o que impossibilitou a confirmação por impressões digitais.
Detalhes do caso e desaparecimento
Gabriel, que residia na comunidade indígena Novo Paraíso, localizada na região de Amajari, ao Norte de Roraima, desapareceu no dia 1º de fevereiro. Ele havia saído de casa no dia 31 de janeiro para participar de um evento na comunidade Juracy, sendo visto pela última vez entre 6h e 7h da manhã do dia 1º, no barracão da festa. Desde então, não manteve contato com familiares ou amigos.
O corpo foi encontrado morto na tarde do dia 10 de fevereiro, na RR-203, no município do Amajari. A moto e o celular de Gabriel foram localizados a aproximadamente 300 metros de distância do local onde o corpo foi achado. Moradores relataram à família que o jovem foi visto seguindo em direção a uma fazenda próxima após o evento.
Investigações em andamento
A Polícia Civil não divulgou se o laudo de liberação do corpo atestou a causa da morte, mas destacou que "as diligências seguem em andamento com o objetivo de esclarecer as circunstâncias da morte". O caso está sendo investigado pela delegacia de Pacaraima, sob o comando do delegado Robin Felipe Barreto.
O Conselho Indígena de Roraima (CIR), organização que acompanha o caso, tem cobrado das autoridades uma investigação rigorosa. Em nota, o CIR afirmou: "O CIR seguirá vigilante em todas as etapas da apuração e reafirma sua expectativa de investigação rigorosa, imparcial e célere, com a devida responsabilização dos envolvidos".
Homenagens e trajetória do líder
Gabriel foi descrito pelo CIR como "jovem guerreiro" e "uma perda irreparável", sendo uma figura central do movimento indígena na região de Amajari. Sua trajetória incluiu:
- Coordenação regional da juventude de Amajari
- Atuação como comunicador da Rede Wakywaa de comunicadores indígenas
- Exercício da função de secretário regional, articulando ações com lideranças e comunidades
O enterro ocorreu no mesmo sábado (14), em um cemitério particular de Boa Vista, após a liberação do corpo à família. O CIR destacou em nota de pesar o compromisso de Gabriel com a "luta coletiva" pelos direitos dos povos originários, reforçando a importância de sua atuação na defesa dos territórios indígenas.



