Ministra Cármen Lúcia alerta sobre 'poder violento' contra mulheres no Brasil
Cármen Lúcia denuncia 'poder violento' contra mulheres no Brasil

Ministra do STF denuncia situação alarmante de violência contra mulheres no Brasil

A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, fez uma declaração impactante durante a abertura da sessão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça-feira (10). Em discurso que marcou o Dia Internacional da Mulher, celebrado no último domingo, a magistrada afirmou que as mulheres vivem em um "poder violento" e classificou como "estarrecedores" os dados de violência contra este segmento da população.

Declaração contundente sobre a realidade feminina

"É impossível imaginar que isto seja uma situação de civilidade", declarou Cármen Lúcia, acrescentando: "Temos experimentado situações de muita crueldade, perversidade e exclusão. Quando se bate, se mata uma mulher, cada uma de nós é açoitada, violentada, principalmente ferida nos nossos direitos".

A ministra também destacou que a situação não é igual para todas as mulheres, apontando que muitas ainda enfrentam barreiras no acesso e respeito a direitos fundamentais. "Esperamos que as meninas de hoje não precisem de se preocupar e se ocupar com as barbaridades praticadas contra mulheres", expressou a magistrada.

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Diferenças de tratamento desde a infância

Durante sua fala, Cármen Lúcia abordou as disparidades no tratamento de meninos e meninas desde a primeira infância. A ministra citou que as meninas não são ensinadas a lutar quando crianças, enquanto os homens frequentemente recebem brinquedos relacionados à guerra, como espadas, reforçando estereótipos prejudiciais.

Recorde histórico de feminicídios em 2025

Os números apresentados pela ministra encontram respaldo em dados oficiais alarmantes. O Brasil registrou 1.470 casos de feminicídio entre janeiro e dezembro de 2025, conforme informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Este total supera os 1.464 registros de 2024, que já representavam a maior marca até então.

Os registros oficiais apontam para uma média de quatro mulheres mortas por dia no ano passado, vítimas de crimes motivados pelo fato de serem mulheres. A tipificação do feminicídio foi criada em 2015, quando ocorreram 535 mortes nesta circunstância.

Crescimento alarmante em uma década

A comparação entre os números de 2015 e 2025 revela um crescimento de 316% em 10 anos, demonstrando a escalada preocupante da violência letal contra mulheres no país. Este aumento exponencial reforça as preocupações expressadas pela ministra Cármen Lúcia durante sua intervenção no TSE.

A declaração da magistrada ocorreu durante o segundo dia de julgamento envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro na 1ª Turma do STF, mas sua fala focou exclusivamente na questão da violência de gênero, destacando a urgência de medidas efetivas para proteger as mulheres brasileiras.

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