CNDH investiga células neonazistas em Goiás e discurso de ódio contra religiões de matriz africana
CNDH investiga células neonazistas e discurso de ódio em Goiás

Conselho Nacional de Direitos Humanos investiga atuação de grupos neonazistas em Goiás

O Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), vinculado ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), está realizando uma missão em Goiás esta semana para investigar a atuação de grupos neonazistas no estado e a ocorrência de manifestações de discurso de ódio. A iniciativa faz parte do desenvolvimento de um relatório nacional sobre esses temas, com o objetivo de produzir um diagnóstico para combater a disseminação de conteúdos racistas, xenófobos, misóginos, homofóbicos e de intolerância religiosa contra adeptos de religiões de matriz africana.

Encontros com autoridades e sociedade civil

Carlos Nicodemos Oliveira Silva, relator especial de Enfrentamento ao Discurso de Ódio, Extremismo e Neonazismo do CNDH, destacou em entrevista que a missão incluiu reuniões privadas com órgãos da segurança pública e integrantes dos três poderes do estado, além de eventos públicos para ouvir a sociedade goiana. Ele afirmou que "ficou evidente a necessidade de investimentos na parte de formação e letramento quanto ao enfrentamento ao neonazismo, o discurso de ódio e o extremismo". Nicodemos ressaltou que os relatos de adeptos do neonazismo não se restringem a Goiás ou ao Brasil, sendo um fenômeno global, principalmente entre jovens.

Seis células neonazistas identificadas em Goiás

O vereador Fabrício Rosa (PT), responsável por organizar uma audiência pública na Câmara Municipal de Goiânia, citou uma pesquisa da antropóloga Adriana Dias, da Unicamp, que revelou a existência de pelo menos seis células neonazistas em Goiás. Quatro delas estão em Goiânia, uma em Luziânia e outra em Pirenópolis. A maior célula, identificada como Azov e inspirada por uma organização paramilitar da Ucrânia, tem como discurso principal a limpeza étnica e a perseguição a homossexuais. No interior, grupos foram inspirados em movimentos neonazistas dos Estados Unidos.

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Impacto nas comunidades e próximos passos

Segundo Rosa, os grupos extremistas, incluindo neonazistas, têm como alvo diversas comunidades, mas a LGBTQIAPN+ é a mais afetada. Ele explicou que os relatórios do CNDH, além de subsidiar políticas públicas locais, são encaminhados para agências internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU). A missão em Goiás, realizada entre 23 e 25 de maio, também incluiu uma visita a um terreiro no bairro Itatiaia, em Goiânia, para ouvir lideranças religiosas. O relatório com as conclusões desta missão deve ser apresentado em 30 a 60 dias, com recomendações para o estado, enquanto o relatório nacional completo está previsto para o final de 2026.

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