Austrália concede asilo a jogadoras iranianas após protesto silencioso no hino
Austrália dá asilo a jogadoras iranianas por protesto no hino

Austrália oferece refúgio a jogadoras iranianas após gesto considerado traição

O governo australiano concedeu formalmente asilo humanitário a cinco integrantes da seleção feminina de futebol do Irã, em uma decisão anunciada nesta terça-feira pelo ministro do Interior, Tony Burke. A medida ocorre após as atletas serem classificadas como "traidoras" pelas autoridades iranianas por permanecerem em silêncio durante a execução do hino nacional antes de uma partida.

Proteção imediata e negociações sigilosas

Segundo informações oficiais, as jogadoras, incluindo a capitã Zahra Ghanbari, deixaram o hotel onde estavam hospedadas durante a madrugada, sendo conduzidas a um local seguro com apoio policial. Burke revelou que assinou pessoalmente o pedido de visto humanitário na noite de segunda-feira, afirmando: "Elas podem permanecer na Austrália. Estão seguras aqui e esperamos que possam se sentir em casa".

O governo australiano detalhou que negociações confidenciais foram realizadas ao longo de vários dias entre autoridades e as atletas para garantir sua proteção. As autoridades demonstraram disposição para estender ajuda a outras integrantes da delegação iraniana, composta por 26 pessoas, caso seja necessário, embora ainda não haja definições sobre o futuro das demais jogadoras.

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Contexto do protesto e repercussão internacional

O incidente ocorreu durante o primeiro jogo do Irã na Copa da Ásia, contra a Coreia do Sul, realizado dois dias após o início de uma ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel contra o país, que resultou na morte do líder supremo aiatolá Ali Khamenei. O silêncio das atletas durante o hino foi interpretado como protesto, levando um apresentador da televisão estatal iraniana a classificá-las como "traidoras em tempo de guerra" e afirmar que o ato representava o "máximo da desonra".

A situação gerou ampla repercussão internacional, com diversas autoridades e organizações pedindo proteção para as atletas. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após conversa com o primeiro-ministro australiano, confirmou que o país já oferecia apoio a cinco jogadoras e que outras poderiam receber ajuda posteriormente. Trump mencionou que algumas atletas cogitam retornar ao Irã por temerem pela segurança de seus familiares.

Preocupações com direitos humanos e perseguição

Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, fez um apelo público para que a Austrália garantisse proteção às jogadoras, escrevendo nas redes sociais: "As atletas da seleção feminina de futebol do Irã estão sob forte pressão e sendo ameaçadas pela República Islâmica". Organizações de direitos humanos também manifestaram preocupação, com Zaki Haidari, ativista da Anistia Internacional, alertando que as jogadoras podem enfrentar perseguição caso retornem ao Irã. "Há indícios de que familiares de algumas atletas já tenham sido ameaçados", afirmou Haidari.

A seleção feminina iraniana ganhou destaque internacional ao disputar pela primeira vez a Copa da Ásia em 2022, na Índia, tornando-se um símbolo de resistência em um país onde os direitos das mulheres enfrentam restrições significativas. Este episódio reforça os desafios enfrentados por atletas mulheres em regimes com controles rígidos sobre expressões políticas e sociais.

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