Aluguéis de curta temporada voltam ao centro do debate no Carnaval
Aluguéis de curta temporada em debate no Carnaval

Aluguéis de curta temporada voltam ao centro do debate no Carnaval

Os aluguéis de curta temporada se tornaram motivo de preocupação crescente nos condomínios de todo o país. Com a chegada do Carnaval, o tema retornou com força às discussões entre moradores e administradores de imóveis. Esta modalidade de locação representa uma fonte de renda significativa para muitos proprietários, mas também divide opiniões e gera conflitos no ambiente condominial.

Regulamentação em discussão no Rio de Janeiro

Na cidade do Rio de Janeiro, a regulamentação dos aluguéis de curta temporada está em debate na Câmara dos Vereadores desde 2025. O projeto de lei em análise busca estabelecer limites para a locação por meio de aplicativos e impor obrigações específicas aos proprietários. Entre as propostas estão:

  • Exigência de inscrição válida como prestador de serviço turístico no cadastro do Ministério do Turismo
  • Registro na prefeitura municipal
  • Apresentação da convenção do condomínio que autorize expressamente a hospedagem, ocupação ou locação de curta temporada

Luciana Santiago de Paula, síndica profissional responsável pela administração de diversos condomínios no Rio, relata enfrentar constantes dores de cabeça com a situação. "A lista de reclamações sobre os hóspedes temporários é extensa", afirma ela. "Os hóspedes muitas vezes não demonstram preocupação com a segurança do condomínio, deixando portas abertas, sobrecarregando elevadores, recebendo visitas inesperadas e excedendo o número permitido de ocupantes."

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Busca por consenso e impactos econômicos

Uma das maiores dificuldades, segundo Luciana, é encontrar um consenso entre os moradores. "É desafiador, mas através de reuniões frequentes e assembleias conseguimos avançar", explica. "O ponto de equilíbrio está em entender que cada condomínio possui um perfil diferente, e é nas assembleias que o tema deve ser discutido - seja para proibir, limitar ou regulamentar a própria locação."

Do lado econômico, os aluguéis de curta temporada apresentam números expressivos. Uma das principais plataformas do setor revelou que, em 2024, a atividade gerou mais de R$ 55 bilhões ao Produto Interno Bruto brasileiro. Apenas na cidade do Rio de Janeiro, 30% dos anfitriões são aposentados que utilizam a modalidade como complementação de renda.

Márcio Milech, diretor jurídico da Associação Brasileira de Locadores por Temporada, destaca: "Isso representa um ponto de complementação de renda e desenvolvimento da atividade turística. Tornou-se uma fonte de renda muito importante, inclusive contribuindo para a melhoria de apartamentos e prédios deteriorados. A locação por temporada é hoje um pilar fundamental para o turismo."

Experiências internacionais e visão urbanística

Enquanto isso, cidades como Nova York e Barcelona optaram por banir completamente a contratação de aluguéis curtos por aplicativo. O debate internacional reflete a dualidade do fenômeno: por um lado, os turistas movimentam a economia local; por outro, o boom dos aluguéis de temporada pode levar ao aumento dos preços de aluguéis por períodos prolongados, pressionando a população local.

O urbanista Álvaro Albernaz analisa: "Você gera uma valorização nas localizações turísticas, o que pressiona a população com menor renda a sair dessas áreas. Esta é a dinâmica urbana contemporânea. A partir desse contexto, é necessário criar estruturas e regulamentar qualquer tipo de edificação de curta temporada. Por quê? Porque precisamos ter segurança e não podemos abrir mão disso."

Posicionamento das plataformas

O Airbnb, principal plataforma de aluguéis por curto prazo, defende que a modalidade já é regulada pela Lei do Inquilinato (Lei Federal nº 8.245/1991) e que proibições violariam o direito de propriedade. A empresa afirma colaborar com o debate regulatório no Rio de Janeiro, destacando a importância da atividade para absorver demanda turística e gerar renda extra.

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Segundo estudo citado pela plataforma, a atividade movimentou R$ 99,8 bilhões no Brasil em um ano, sustentando 627,6 mil empregos e gerando R$ 8 bilhões em tributos diretos. Na cidade do Rio de Janeiro especificamente, os aluguéis de curta temporada movimentaram R$ 9,9 bilhões na economia, sustentando 61,6 mil empregos e adicionando R$ 5,6 bilhões ao PIB local.

O Carnaval de 2024 acende novamente o debate sobre como equilibrar os interesses econômicos, os direitos de propriedade e a convivência harmoniosa nos condomínios, tornando a discussão sobre regulamentação mais urgente do que nunca.