Irmãs retomam produção de salgados após incêndio destruir fábrica familiar em Boa Vista
Irmãs retomam salgados após incêndio em fábrica em Boa Vista

Irmãs retomam produção de salgados após incêndio destruir fábrica familiar em Boa Vista

As irmãs Rildjane Alves, de 46 anos, e Roseane Alves, de 39, estão demonstrando uma força impressionante ao retomar a produção de salgados de festa após um incêndio devastador que destruiu completamente sua fábrica no bairro Centenário, em Boa Vista, capital de Roraima. O incêndio ocorreu no dia 5 de março e consumiu em poucos minutos o investimento acumulado ao longo de oito anos de trabalho árduo.

Reinício improvisado com fé e determinação

Mesmo com o espaço original completamente destruído, as empreendedoras não se deixaram abater. Elas improvisaram uma área em sua própria residência para continuar atendendo a clientela fiel conquistada ao longo dos anos. Na quarta-feira, 11 de março, retomaram oficialmente as atividades produtivas.

"Temos muita fé. Então, não nos desesperamos", afirmou Rildjane Alves, que além de empresária é professora. "A gente acredita que às vezes, na vida, é preciso dar um passo para trás para depois dar dois para frente. E também pensamos nas famílias dos funcionários que dependem da loja".

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Impacto do incêndio e perdas materiais

O incêndio não atingiu apenas a fábrica de salgados RR Salgados, mas também se alastrou para um estabelecimento vizinho de serviços automotivos. Felizmente, não houve vítimas humanas, apenas danos materiais consideráveis.

Entre os equipamentos perdidos para as chamas estão:

  • Três freezers horizontais
  • Um freezer vertical
  • Uma geladeira
  • Três fritadeiras
  • Uma amassadeira
  • Um liquidificador industrial
  • Três mesas de inox
  • Duas centrais de ar-condicionado
  • Um climatizador
  • Duas mil caixas para embalagem

"Em poucos minutos vimos todo o investimento de oito anos sendo consumido pelo fogo", lamentou Rildjane.

Estrutura atual e funcionamento adaptado

Com a estrutura improvisada em casa sendo naturalmente menor que a fábrica original, as irmãs precisaram implementar um sistema de agendamento para os pedidos. A estratégia já está mostrando resultados positivos: em apenas dois dias de retomada, elas receberam 29 encomendas.

Todos os 12 funcionários da empresa – que incluem familiares e colaboradores externos – mantiveram seus vínculos empregatícios, mas agora trabalham em sistema de revezamento devido às limitações do espaço temporário.

Histórico da empresa familiar

A RR Salgados era um negócio próspero antes da tragédia. A empresa vendia aproximadamente 200 centos de salgados por semana, com preços variando entre R$ 45 e R$ 90 por cento. O faturamento mensal alcançava uma média impressionante de R$ 42 mil.

As irmãs, naturais da Paraíba, dividem as responsabilidades de forma complementar: Rildjane, por ser professora, cuida da parte administrativa, enquanto Roseane é responsável pela produção dos salgados.

"A empresa acabou se tornando familiar, a família foi abraçando a causa e crescendo junto", explicou Rildjane. "A gente começou sem conhecer nada, fomos pesquisando, comprando máquinas e testando. Dia após dia fomos crescendo, trocando maquinário e nos aprimorando".

Futuro com esperança renovada

Apesar das perdas significativas, as irmãs mantêm um olhar otimista para o futuro. Do local original, conseguiram salvar apenas uma geladeira, dois freezers e – o mais importante – a máquina responsável por produzir os salgados, que Rildjane descreve como "o coração da loja".

"Perdemos muita coisa, mas também estamos ganhando visibilidade", refletiu Rildjane. "Muitos clientes que não conheciam a loja passaram a conhecer e a se sensibilizar com a situação. Acreditamos que, mesmo com essa perda, lá na frente vamos ganhar muito mais, com uma loja nova, equipamentos novos e ainda mais vontade de crescer".

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Ao ser questionada sobre seus desejos para o futuro, Rildjane não hesitou: "coisas maiores". A trajetória dessas duas empreendedoras – que chegaram a Roraima há 23 anos (Rildjane) e depois sua irmã, construíram um negócio do zero, viram seus filhos crescerem junto com a empresa, e agora enfrentam a reconstrução com resiliência – serve como inspiração para pequenos empresários em todo o país.