Se você usa o TikTok ou Instagram, provavelmente já se deparou com vídeos que começam com expressões como “oi divos e divas”, “babadeiro”, “iconic”, “faraônico” e “aesthetic”. Essas gírias da geração Z vêm sendo adotadas por empreendedores para viralizar nas redes sociais, divulgar promoções e atrair clientes. No entanto, por trás da diversão, existem cuidados importantes para não expor funcionários a situações constrangedoras ou de risco.
Direitos dos funcionários em foco
Um funcionário não é obrigado a gravar vídeos para o TikTok ou qualquer rede social se não quiser ou se essa função não estiver prevista em seu contrato. Essa prática pode configurar desvio de função, conforme explica Paulo Renato Fernandes, professor de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro. “Quando há desvio de função, o empregado tem direito a receber um adicional. Além disso, há a questão do direito de imagem, que é garantido por lei e precisa ser autorizado. Nesse caso, também é possível solicitar indenização pelo uso da imagem”, afirma o professor.
O empregador deve solicitar aos funcionários uma autorização por escrito para o uso de imagem, especificando onde os vídeos serão exibidos. Mesmo quando essa atividade já consta no contrato, o advogado trabalhista Maurício Corrêa da Veiga recomenda obter autorização do funcionário a cada nova campanha publicitária. Segundo ele, o empregado pode processar a empresa e pedir indenização se se sentir obrigado, induzido ou coagido a participar dos vídeos.
Quem deve aparecer nos conteúdos?
Para Tainá Alves, do Sebrae, o ideal é que o próprio empreendedor participe, pois isso gera credibilidade e conexão. “Se o empreendedor não tiver interesse, perfil ou aptidão para aparecer, e nenhum colaborador quiser participar da produção de conteúdo, é possível contratar microinfluenciadores”, explica.
Microinfluenciadores: uma alternativa eficaz
Os microinfluenciadores são criadores de conteúdo com número relativamente pequeno de seguidores (geralmente entre 1 mil e 100 mil). Esses influenciadores, geralmente locais ou de nicho, têm engajamento mais real com comunidades específicas. Segundo Tainá Alves, costumam gerar mais retorno do que grandes influenciadores. “Eles criam comunidades autênticas e engajadas, formadas por pessoas realmente interessadas nos temas que tratam. Por isso, é fundamental pesquisar e escolher microinfluenciadores alinhados ao perfil do negócio”, destaca a coordenadora de Relacionamento Digital do Sebrae.
A importância da Geração Z
Outro ponto destacado pela especialista é a importância da Geração Z, nativa digital. Mesmo sem grande poder de compra, esse grupo influencia decisões familiares e deve ser incluído nas estratégias de comunicação. Além disso, a GenZ será o público do futuro. Por isso, é essencial fidelizar esse grupo. “Eles buscam propósito, impacto social e conteúdo autêntico. É com eles que as marcas precisam começar a dialogar desde já”, conclui Tainá.
Um exemplo de sucesso é uma loja de materiais de construção em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, que ganhou visibilidade e se consolidou como marca local graças à forte presença online.



