Empreendedoras baianas criam absorvente biodegradável para combater pobreza menstrual
Absorvente biodegradável combate pobreza menstrual na Bahia

Iniciativa baiana transforma realidade menstrual com inovação sustentável

A carência de acesso a produtos básicos de higiene menstrual continua sendo uma realidade dolorosa para milhões de brasileiras, prejudicando diretamente a vida escolar, profissional e social de meninas e mulheres em todo o país. Diante desse desafio urgente, três visionárias empreendedoras decidiram unir forças para criar uma solução que combina tecnologia, consciência ambiental e transformação social.

O despertar de uma missão em Salvador

A jornada começou em Salvador, na Bahia, quando Hellen Nzinga testemunhou uma cena que mudaria seu caminho profissional: uma mulher em um supermercado contando moedas insuficientes para comprar um pacote de absorventes. Essa experiência tocante, somada à sua participação em um programa de formação de lideranças, direcionou sua energia para o combate à pobreza menstrual – condição que priva mulheres de condições dignas durante seu ciclo.

Juntamente com Adriele Menezes e Patrícia Zanella, Hellen fundou uma empresa dedicada a desenvolver alternativas acessíveis e ecológicas para quem menstrua. Após três anos e meio de pesquisas intensivas, o trio criou um absorvente biodegradável produzido com materiais atóxicos, higiênicos e completamente veganos.

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Inovação que se decompõe em meses, não em séculos

Diferente dos absorventes descartáveis convencionais, que podem levar centenas de anos para se decompor no meio ambiente, a versão desenvolvida pelas baianas se desintegra em aproximadamente seis meses sob condições normais de descarte. Para viabilizar este projeto revolucionário, as fundadoras buscaram apoio em editais e competições internacionais de inovação, acumulando mais de R$ 500 mil em premiações que financiaram a produção piloto e o desenvolvimento tecnológico.

Impacto social que gera renda e oportunidades

O modelo de negócio adotado pela empresa prioriza o impacto social em múltiplas frentes. Parte significativa da produção é realizada por costureiras – muitas delas mulheres acima de 50 anos que estavam afastadas do mercado de trabalho. Estas profissionais recebem treinamento especializado para manusear os tecidos tecnológicos utilizados nos absorventes reutilizáveis.

Atualmente, a rede produtiva consegue fabricar cerca de 5 mil unidades mensais, gerando renda estável para dezenas de mulheres. A empresa opera principalmente no modelo B2B, fornecendo produtos para corporações e organizações que promovem ações sociais ou iniciativas de responsabilidade corporativa. Frequentemente, essas entidades adquirem os absorventes para distribuição gratuita em comunidades carentes ou projetos sociais.

Expansão nacional e resultados expressivos

Sempre que surge uma nova demanda, a produção é organizada próxima ao local de entrega, contratando mulheres da própria região – estratégia que já permitiu estabelecer linhas de produção temporárias em diversas partes do Brasil. Desde sua fundação, a iniciativa já impactou positivamente mais de 20 mil mulheres, distribuindo absorventes em 17 estados brasileiros e até mesmo em comunidades indígenas próximas à fronteira com a Venezuela.

Em 2025, o faturamento da empresa alcançou aproximadamente R$ 700 mil. Além dos absorventes biodegradáveis destinados a projetos sociais, as empreendedoras expandiram seu portfólio com uma linha de produtos menstruais reutilizáveis para venda direta ao consumidor, incluindo calcinhas, shorts, biquínis e maiôs menstruais. A expectativa é ampliar ainda mais o acesso através da criação de um e-commerce próprio.

Uma visão que transcende o lucro

Para as fundadoras, o objetivo ultrapassa o crescimento financeiro do negócio. Sua missão permanente é transformar a maneira como a sociedade encara a menstruação – reduzindo desigualdades históricas e ampliando oportunidades para mulheres em situação de vulnerabilidade. "Sustentabilidade é cuidar das pessoas", reflete Hellen Nzinga. "Não podemos falar de meio ambiente sem olhar atentamente para quem vive essa realidade no dia a dia."

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Esta iniciativa baiana demonstra como o empreendedorismo feminino pode ser uma poderosa ferramenta de transformação social, unindo inovação tecnológica, responsabilidade ambiental e compromisso com a equidade de gênero.