Greve em hospitais universitários da Paraíba chega ao fim após acordo nacional
Os servidores dos Hospitais Universitários Lauro Wanderley (HULW), localizado em João Pessoa, e Alcides Carneiro (HUAC), situado em Campina Grande, encerraram oficialmente nesta quarta-feira, 8 de junho, a greve que havia sido deflagrada pela categoria no último dia 30 de maio. Os serviços hospitalares retomaram suas atividades normais a partir das 13 horas do mesmo dia, marcando o fim de uma paralisação que impactou diretamente a assistência à população.
Decisão majoritária nacional sobrepõe discordância local
Embora nem todas as reivindicações específicas dos trabalhadores paraibanos tenham sido integralmente atendidas, o que motivou a não concordância da base sindical local com o término da mobilização, a decisão de finalizar a greve foi majoritária entre as bases que compõem o movimento em nível nacional. Consequentemente, a paralisação também foi encerrada na Paraíba, seguindo a orientação coletiva.
De acordo com o diretor João Carlos Pita, do Sindicato dos Trabalhadores de Empresas Públicas de Serviços Hospitalares na Paraíba (Sindserh-PB), o principal ponto de discordância do sindicato local esteve relacionado à redação da cláusula referente ao Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS). "Nossa interpretação é de que, da forma como foi escrita, a cláusula desconsidera conquistas que tivemos anteriormente. Por isso negamos a proposta, mas a maioria das deliberações nos demais estados foram a favor do fim da greve", explicou o dirigente sindical.
Termos do acordo estabelecidos em conciliação processual
O acordo foi firmado no âmbito da conciliação processual em curso no Tribunal Superior do Trabalho (TST), contemplando os seguintes pontos principais:
- Reajuste salarial com aplicação de 100% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), referente à inflação do período a partir de junho de 2026.
- Auxílio-alimentação também reajustado pelo INPC, garantindo a manutenção do poder de compra dos servidores.
- Assistência médica e odontológica, auxílio-escolar e auxílio à pessoa com deficiência, todos igualmente reajustados pelo INPC.
Além desses aspectos econômicos, a proposta incorporou pontos relacionados à prevenção e combate ao assédio moral e sexual, ações afirmativas, proteção à mulher no ambiente de trabalho, ampliação dos direitos de maternidade e paternidade, além de regras mais claras sobre férias e licenças para acompanhamento de dependentes.
Compensação dos dias paralisados e banco de horas
Conforme esclarecido pelo Sindicato dos Trabalhadores de Empresa Pública de Serviços Hospitalares na Paraíba, os dias em que os servidores estiveram em greve serão abonados em 50%. A compensação corresponderá a 50% da jornada devida, dentro do que já está previsto no Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) vigente para o banco de horas. Essa medida busca equilibrar os prejuízos causados pela paralisação com as necessidades de reposição dos serviços essenciais.
A retomada das atividades nos hospitais universitários representa um alívio para a rede pública de saúde da Paraíba, que enfrentou desafios operacionais durante o período de greve. No entanto, as divergências locais indicam que questões relacionadas ao plano de carreira podem permanecer como ponto de tensão nas futuras negociações entre a categoria e a administração hospitalar.



