Vice-presidente defende redução da jornada e ajustes previdenciários em evento sindical
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) defendeu publicamente o fim da escala 6x1 e afirmou que a redução da jornada de trabalho é uma tendência mundial impulsionada pelos avanços tecnológicos. Em discurso proferido na sede da UGT (União Geral dos Trabalhadores) em São Paulo nesta segunda-feira (13), Alckmin também apontou a necessidade de ajustes na Previdência Social, destacando questões atuariais relacionadas ao aumento da expectativa de vida dos brasileiros.
Tecnologia como motor da redução da jornada
"Com tecnologia, você faz mais com menos gente, então cada vez você produz mais com menos trabalhadores, é uma tendência mundial da redução de jornada", declarou Alckmin. O vice-presidente argumentou que os avanços tecnológicos permitem que a jornada diminua após quase 40 anos da última redução significativa no Brasil, referindo-se à Constituição de 1988, quando a jornada semanal caiu de 48 para 44 horas.
Ele reconheceu que existem diferenças entre os setores produtivos e que essas particularidades precisam ser consideradas nas discussões. "Se nós podemos fazer mais com menos gente, as fábricas produzem mais com menos gente, o campo produz mais com menos gente, é óbvio que você vai ter uma jornada um pouco menor", reforçou.
Demandas dos trabalhadores e votação iminente
Alckmin relatou que tem sido abordado frequentemente por trabalhadores com demandas por jornadas mais curtas. "Parei para fazer um lanchinho na rodovia, na Carvalho Pinto, e a hora que a mocinha veio me servir ela disse que não quer trabalhar seis dias por semana. 'Eu sou mãe, eu tenho família, eu tenho tarefas domésticas. Eu posso vir sábado, posso vir domingo, mas eu queria que a jornada fosse de cinco dias'", contou.
O vice-presidente informou que a votação do projeto na Câmara dos Deputados para reduzir a jornada pode ocorrer ainda nesta semana, reforçando que a redução é uma tendência consolidada internacionalmente.
Necessidade de ajustes na Previdência Social
Em seu discurso, Alckmin tratou também de possíveis ajustes na Previdência, justificando a necessidade de revisões atuariais que considerem o aumento da expectativa de vida da população. Segundo ele, brasileiros que atingem idades mais avançadas tendem a viver significativamente mais, o que impacta diretamente a sustentabilidade do sistema previdenciário.
O vice-presidente criticou as desigualdades entre regimes de aposentadoria, apontando diferenças expressivas entre os benefícios pagos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), cuja maioria gira em torno de um salário mínimo, e aposentadorias mais elevadas no setor público. "O ajuste fiscal necessário não deve recair sobre os trabalhadores de menor renda, mas sim combater privilégios e distorções no topo do sistema", afirmou.
Defesa de justiça tributária e posicionamento sindical
Alckmin defendeu maior justiça tributária como forma de equilibrar as contas públicas sem penalizar os mais pobres. Ele destacou medidas recentes que ampliam a faixa de isenção do Imposto de Renda e disse que a reforma tributária deve trazer mais justiça social quando a sociedade começar a sentir seus efeitos. Reforçou ainda a necessidade de tributar proporcionalmente os mais ricos, mantendo responsabilidade fiscal.
O presidente da UGT, Ricardo Patah, afirmou ser "garoto propaganda do fim da escala 6x1". Para o sindicalista, que também preside o Sindicato dos Comerciários de São Paulo, os trabalhadores querem continuar produzindo, mas também desejam mais tempo para viver, conviver com a família e cuidar da própria saúde.
Mobilização sindical e perspectivas futuras
O evento reuniu representantes de diversas categorias profissionais, incluindo comerciários, bancários, agentes comunitários de saúde, taxistas, eletricitários, bibliotecários, ferroviários, trabalhadores da saúde, economistas, construção civil, motoristas e integrantes de centrais sindicais.
Na abertura do evento, lideranças sindicais reforçaram a importância da organização e da mobilização, fizeram críticas ao Congresso Nacional e disseram que, em um eventual quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), vão cobrar alguma medida efetiva para o sustento dos sindicatos após o fim da contribuição obrigatória na reforma trabalhista de 2017.
Rejane Soldani Sobreiro, presidente do Sigmuc (Sindicato da Guarda Municipal de Curitiba), destacou o fim da escala 6x1, relacionando a pauta à mudança de mentalidade dos trabalhadores após a pandemia. "Segundo ela, cresceu a percepção de que o trabalho consome o tempo de vida, o que reforça a luta por jornadas mais equilibradas".



