Empresário viraliza com 'kitnet corredor' de 10m² na Zona Sul de SP por R$ 400 a R$ 600
Kitnet de 10m² viraliza em SP com aluguel a partir de R$ 400

Kitnets minúsculas de 10m² na Zona Sul de SP viralizam e geram debate sobre moradia

As imagens de pequenas kitnets disponíveis para locação na Zona Sul de São Paulo conquistaram as redes sociais na última semana, acumulando mais de 5 milhões de visualizações. As unidades, que possuem apenas 10 metros quadrados, foram apelidadas de "kitnet corredor" pelos internautas devido ao formato alongado que lembra um corredor residencial.

Características das unidades e valores dos aluguéis

Cada espaço conta com banheiro privativo e capacidade para acomodar apenas um colchão de solteiro, um frigobar, uma pequena cômoda e uma televisão fixada na parede. Não há áreas compartilhadas como cozinhas ou lavanderias nos imóveis. Os aluguéis variam entre R$ 400 e R$ 600 mensais, com contratos de 15 meses de duração.

As kitnets estão localizadas em três sobrados nos bairros de Interlagos, Jardim Clipper e Cidade Dutra, todos na região sul da capital paulista. Até esta sexta-feira (10), das 20 unidades disponíveis, 16 já haviam sido alugadas após a viralização do conteúdo nas plataformas digitais.

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Reação dos internautas e defesa do empresário

As publicações geraram uma onda de críticas nas redes sociais. "Na cadeia tem mais espaço. O ruim é que não pode sair", comentou um usuário. Outro questionou: "Onde fica esse cativeiro?". Uma terceira pessoa afirmou: "Os cara tão alugando corredor".

O empresário Ângelo Pacheco, de 40 anos, responsável pela iniciativa, contou ao g1 que teve a ideia de transformar os espaços em 2010. "São três sobrados que sou dono e fiz vários quartos individuais com banheiro. Trabalho com isso desde 2010", explicou.

Pacheco revelou que o pedreiro que trabalhou na reforma inicialmente duvidou do sucesso do projeto. "Na época, ficou dando risada dizendo que eu não ia alugar nunca, mas graças a Deus sempre aluguei. Enquanto o sonho não dá certo, ninguém acredita, né?", relatou.

Público-alvo e filosofia de trabalho

O empresário afirmou que seu público-alvo são pessoas solteiras sem condições de pagar mais de R$ 600 por uma locação. "Eu alugo para pessoa solteira. Não dá para alugar para duas pessoas e também não dá para alugar para quem tem criança ou pet", detalhou.

"É tipo um começo [de vida] para a pessoa [o espaço]. Então, eu atendo o pessoal que vem do Nordeste e aquele jovem que está saindo da casa dos pais", completou Pacheco sobre o perfil dos locatários.

Sobre as milhares de críticas recebidas, o empresário disse não ter ficado chateado. "É algo novo na minha vida. Eu sempre fui aquele cara que nunca aceitou uma crítica. Depois desse episódio, acho que toda crítica é bem-vinda", afirmou.

Pacheco destacou sua experiência de 16 anos no ramo: "Não fiquei chateado porque acredito no meu trabalho de 16 anos, e vivo disso. Hoje não ligo mais para crítica, só se for de pessoa bem próxima".

Viralização inesperada e conselho final

O empresário, que nunca havia tido redes sociais e trabalhava apenas no boca a boca, decidiu criar um perfil após ser criticado por um amigo. "Viralizou em uma semana e estou até sem reação", confessou sobre o fenômeno digital.

Como mensagem final, Pacheco ofereceu um conselho: "O meu conselho é de ir atrás do sonho e não ligar para as críticas". A iniciativa do empresário paulista levanta questões sobre a crise habitacional nas grandes cidades brasileiras e as soluções criativas que emergem em meio às dificuldades do mercado imobiliário.

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