Funcionários da Meta chamam período de demissões de '28 dias de inferno'
Meta: '28 dias de inferno' antes de demissões

Funcionários da Meta, empresa controladora do Facebook e Instagram, estão descrevendo o período que antecede a próxima rodada de demissões como “28 dias de inferno”. A expressão, que circula em fóruns internos e no aplicativo Blind, reflete a tensão após o anúncio de que cerca de 10% do quadro global será cortado a partir de 20 de maio. Até lá, os trabalhadores convivem com semanas de incerteza, sem saber quem será afetado.

Um mês de limbo dentro da Meta

A decisão de comunicar os cortes com antecedência incomum gerou um efeito colateral: um período prolongado de ansiedade. Em comunicado interno, a diretora de recursos humanos, Janelle Gale, reconheceu o impacto. “Eu sei que isso deixa todos com quase um mês de ambiguidade, o que é incrivelmente angustiante”, escreveu. Segundo relatos, o anúncio trouxe alívio parcial por encerrar semanas de rumores, mas também aumentou a pressão por desempenho em curto espaço de tempo.

“Como você se motiva a trabalhar no próximo mês com demissões confirmadas?”, questionou um funcionário em uma postagem. Outro respondeu com humor ácido: “Estou me motivando a fazer coisas que posso colocar no meu currículo para o próximo emprego”.

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Humor, medo e cálculo de sobrevivência

As reações internas misturam preocupação, ironia e pragmatismo. Em um dos comentários mais curtidos, um funcionário afirmou: “Eu me sinto mais ansioso em sobreviver a esse corte”, sugerindo que permanecer na empresa pode significar mais carga de trabalho e piora no ambiente. Desde 2022, a Meta já passou por sucessivas rodadas de demissões, contribuindo para um clima de desgaste entre equipes.

Outro funcionário resumiu a sensação de instabilidade: “Eu sempre assumo que estou a dois meses de ser demitido, não importa o que a liderança diga”.

Pressão por resultados e corrida por inteligência artificial

As demissões ocorrem em um momento de transformação estratégica da Meta. Assim como outras gigantes de tecnologia, a empresa está redirecionando investimentos para inteligência artificial, área que exige altos custos e equipes mais enxutas e especializadas. Microsoft e Google também anunciaram cortes ou programas de desligamento voluntário, enquanto aumentam gastos com infraestrutura de IA. Analistas apontam que o setor vive um ajuste: após anos de expansão acelerada, as empresas buscam eficiência e margens mais altas.

Cultura corporativa sob pressão

Especialistas em gestão afirmam que períodos prolongados de incerteza tendem a afetar diretamente a produtividade e o engajamento. Quando os funcionários não sabem se permanecerão na empresa, é comum que priorizem planos individuais, como atualizar currículos ou buscar novas oportunidades, em vez de focar no trabalho atual. No caso da Meta, esse efeito aparece nas próprias mensagens internas, onde parte dos empregados já se prepara para uma possível saída.

O que vem a seguir

A expectativa é que os cortes sejam confirmados em maio, junto com uma reestruturação mais ampla das equipes. Funcionários afetados podem perder benefícios vinculados a ações da empresa, dependendo da data de desligamento, outro ponto que tem gerado dúvidas internas. Enquanto isso, o clima dentro da companhia segue marcado pela espera.

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