PT e governo Lula debatem vingança após derrotas no Congresso
PT e Lula debatem vingança por derrotas no Congresso

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu governo e o Partido dos Trabalhadores (PT) estão em intenso debate sobre como retaliar a dupla derrota legislativa sofrida na semana passada. O Senado rejeitou a indicação de Lula para uma vaga de juiz no Supremo Tribunal Federal (STF), e o Congresso derrubou o veto presidencial à lei que reduz penas para condenados por crimes contra o regime democrático. A chamada “aliança da governabilidade” com o presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil), foi considerada encerrada pela ex-ministra de Relações Institucionais Gleisi Hoffmann.

Desconfiança interna e críticas a aliados

Em entrevista à Globonews nesta segunda-feira, Gleisi Hoffmann afirmou: “O que não pode é a gente ir para uma disputa eleitoral com o inimigo dentro de casa, isso não pode acontecer”. A declaração reflete o clima de desconfiança que tomou conta das reuniões de dirigentes petistas. A presidência do PT classificou a decisão do Senado – que por 42 votos a 34 vetou o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias – como um “grave erro” e alertou para uma suposta “instabilidade institucional”.

Questionamentos sobre alianças eleitorais

Valter Pomar, líder de uma fração da esquerda dentro do PT, levou o debate às redes sociais. Ele questionou a confiabilidade de aliados como o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), candidato apoiado pelo PT mineiro ao governo de Minas Gerais. “A pergunta que não quer calar é: vai parar por aí? Se a resposta for ‘não, vai é piorar’, cabe também perguntar: Pacheco é confiável como aliado? Ou vamos deixar para descobrir, no meio da campanha eleitoral, que nos iludimos com ele, com Eduardo Paes e com outros, tanto quanto nos iludimos com Messias?”, escreveu.

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Pacheco era o preferido de um grupo de senadores liderado por Davi Alcolumbre para a vaga no STF. Lula, no entanto, optou por Messias e, ao que tudo indica, convenceu Pacheco a concorrer ao governo mineiro. Contudo, o PT de Minas Gerais hesita em apoiá-lo, apesar da recomendação presidencial.

Retomada de críticas ao Congresso

O rancor do governo e do partido com a derrota ficou evidente na retomada da campanha de críticas públicas ao Congresso nas redes sociais. Pomar, que integra a direção nacional do PT, afirmou: “A maioria (dos parlamentares) é inimiga do povo. Cabe dizer isso ao povo, com todas as letras. E tratar os inimigos do povo como eles merecem. A começar pelos cargos controlados por Davi Alcolumbre, Arthur Lira et caterva.”

No Palácio do Planalto, os lamentos de Lula têm alimentado a ideia de uma “reação” ao Congresso. Embora os riscos sejam reconhecidos, argumenta-se que a inércia poderia expor Lula em um momento de fraqueza, no fim de seu mandato e em uma fase crucial da campanha pela reeleição. Não há consenso entre os assessores presidenciais.

Lições do passado

Lula já enfrentou situação semelhante em seu segundo mandato, em dezembro de 2007, quando tentou manter a cobrança do “imposto do cheque” (CPMF). Na ocasião, o governo mobilizou esforços para garantir uma receita extra considerável, hoje equivalente a 130 bilhões de reais. A proposta venceu na Câmara, mas foi derrotada pela oposição no Senado, por 45 votos a favor contra 49 necessários.

Na eleição seguinte, Lula atuou para eleger sua sucessora, Dilma Rousseff, e executou uma vingança política: impediu a eleição dos líderes do consórcio oposicionista (PSDB e DEM). Conseguiu seu objetivo, mas, sem querer, abriu caminho para a ascensão de parlamentares do baixo clero em áreas-chave do Congresso. Desse grupo emergiram figuras como Eduardo Cunha (PMDB), que presidiu a Câmara e liderou o impeachment de Dilma em 2016, e Jair Bolsonaro, eleito presidente em 2018 enquanto Lula estava preso por corrupção.

A história serve como alerta para o atual momento, em que o governo busca uma reação sem repetir erros do passado.

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